MG começa a julgar ações de perseguidos na ditadura

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça iniciou hoje, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o julgamento de 32 processos de perseguidos políticos da região durante o período do regime militar. Um dos principais processos de anistia e reparação econômica é o do cirurgião plástico Afrânio Freitas Azevedo, atual secretário de Educação do município, responsável pela operação que mudou as feições do guerrilheiro Carlos Lamarca, em julho de 1969, numa clínica do Rio de Janeiro.

Agência Estado |

"Esse homem, esse médico, em razão dessa operação plástica clandestina que realizou, foi preso por 73 dias e ficou cinco anos sem conseguir emprego em quaisquer outros hospitais", afirmou o presidente da comissão, Paulo Abrão, em entrevista à rádio CBN. Até o início da noite, oito processos já haviam sido julgados.

O ministro da Justiça, Tarso Genro participou da abertura da solenidade de julgamento. Entre os primeiros processos analisados estavam o de quatro integrantes da família Vieira. A médica Joana D'Arc, em razão da militância comunista, alegou que sofreu sanções e, embora concursada, foi demitida do serviço público na época. A comissão concedeu a ela prestação mensal vitalícia de R$ 3,6 mil e uma indenização retroativa de R$ 535,7 mil. A seu irmão, Euler Vieira, foi concedido uma prestação vitalícia de R$ 2,7 mil e indenização de R$ 214,5 mil. O processo relativo à mãe dos ex-militantes, Maria Vieira, foi indeferido, pois não se comprovou perseguição política direta. Mas seu marido, Sebastião Vieira, já falecido, foi beneficiado por uma prestação mensal de R$ 913 e indenização de R$ 73,9 mil - que serão pagos à viúva.

Entre os julgamentos mais aguardados também está o do cirurgião dentista Guaracy Raniero, de 85 anos, que durante a ditadura era um dos líderes do Movimento Revolucionário 21 de Abril. A organização era uma espécie de célula brizolista instalada no Triângulo Mineiro. O grupo foi desmantelado em 1967 com a prisão de 22 integrantes, todos de Uberlândia. Raniero cumpriu pena de dois anos em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, antes de fugir para o Uruguai. Seriam julgados também os processos relativos a outros cinco integrantes do movimento. "A história de resistência no interior do Brasil não recebeu o merecido destaque histórico. Daí a importância do resgate dessa memória", observou Abrão.

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