México quer maior aproximação do Brasil

BRASÍLIA (Reuters) - Brasil e México decidiram nesta segunda-feira intensificar as relações comerciais bilaterais, o que poderá reduzir a dependência da economia mexicana do intercâmbio com os Estados Unidos. O tema foi tratado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Felipe Calderón, durante a visita do presidente mexicano à capital brasileira. Um dos assuntos da pauta do encontro foi a possibilidade de dar andamento às negociações de livre comércio entre México e Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

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"Essa crise (financeira global) demonstrou que, quanto mais nós diversificarmos a nossa balança comercial e interagirmos com outros países, menos dependente nós ficaremos de uma única economia," afirmou Lula durante declaração conjunta dos dois presidentes à imprensa.

Em sua resposta, Calderón concordou.

"A dependência fundamental da economia norte-americana, por exemplo, também explica porque o México foi tão afetado nessa crise global, que teve seu epicentro precisamente na economia dos Estados Unidos", comentou.

"Aí vem a intenção de diversificar e também a intenção de intensificar as relações entre México e Brasil."

Para Lula, é "inaceitável" que dois países do porte de Brasil e México tenham um intercâmbio comercial de menos de 8 bilhões de dólares.

"Os acordos de preferências comerciais são restritos e acanhados... Por isso, estamos empenhados em ampliar o acordo comercial entre Brasil e México", disse o presidente brasileiro.

"A ampliação do acordo rumo ao livre comércio Mercosul-México dará força a essa estratégia."

O presidente mexicano demonstrou receptividade à ideia, mas ressaltou que parte do empresariado de seu país é contra o projeto.

"Há setores muito sensíveis. Eu posso assegurar aos empresários do México... que estaremos muito atentos às inquietudes, opiniões e buscando não como prejudicar alguém mas como melhorar para todos através dos benefícios do comércio", destacou.

"Sei que há muitas resistências a vencer", acrescentou.

Os dois presidentes afirmaram ainda que a parceria entre os dois países também se deve dar no campo político. "Juntos seremos mais fortes e teremos mais influência". sublinhou Lula.

Calderón reforçou o coro: "Devemos trabalhar juntos para que a voz da América Latina seja escutada e respeitada no âmbito internacional."

GIGANTES DO PETRÓLEO

Os dois presidentes assinaram acordos de cooperação nas áreas de ciência, tecnologia e entre agências de fomento ao comércio exterior. Disseram também serem favoráveis a mais trocas de experiências entre as suas estatais do setor de petróleo, Petrobras e Pemex.

Calderón destacou que gostaria de elevar a cooperação entre a Pemex e a companhia brasileira, uma vez que a produção de petróleo de seu país tem diminuído.

"Para mim, o que é claro é que Pemex possa aproveitar toda a experiência exitosa da Petrobras, que permitiu ao Brasil crescer ano a ano sua produção petrolífera", declarou o presidente mexicano.

Já Lula afirmou ter disposição para atender o pedido do colega.

"São duas gigantes do petróleo. Se as duas continuarem cada uma individualizada fazendo o seu serviço, as duas deixarão de ser muito maiores do que poderiam ser se estabelecessem parceria", frisou.

(Reportagem de Fernando Exman)

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