Imagine-se entrando na sala de cirurgia para operar um rim. Ao acordar do efeito da anestesia, você vê com espanto que o médico errou e operou o rim direito no lugar do esquerdo.

Parece absurdo, mas um erro como este pode ocorrer - especialmente em hospitais onde o movimento é intenso e o cirurgião realiza mais de um procedimento por dia. Para minimizar esses riscos, cada vez mais hospitais adotam o método chamado “time out” que, de tão simples, parece óbvio. Mas não é.

Antes de o médico, enfermeiro e anestesista entrarem na sala cirúrgica, eles fazem um check-up dos procedimentos a serem adotados. Os profissionais se certificam do tipo de cirurgia (se é a intervenção correta no paciente correto) e o órgão a ser operado. Em caso de órgãos duplos, como rins ou pulmões, marca-se no corpo do paciente o lado correto com uma caneta especial.

Na sala, os profissionais checam se os instrumentos necessários estão disponíveis e se o paciente está posicionado de modo correto. No fim, conta-se até o número de gazes e instrumentos utilizados - para evitar que o cirurgião deixe alguma coisa dentro do corpo do paciente.

OMS

No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou uma lista com 19 medidas para evitar problemas. Em janeiro, o New England Journal of Medicine, uma das mais importantes publicações da área médica, publicou artigo sobre uma pesquisa que testou a eficácia do método em oito hospitais de países como EUA, Canadá e Índia. O índice de mortes provocadas por erros caiu de 1,5% para 0,8%. E complicações pós-operatórias, de 11% para 7%.

“Esses procedimentos são eficientes em qualquer lugar do mundo”, diz Wilson Pollara, coordenador chefe do Instituto do Câncer de São Paulo. O Hospital Sírio Libanês adotou o protocolo há 3 anos. “Adotamos medidas simples mas que, por incrível que pareça atuam onde podemos errar”, diz o gerente médico do Centro Cirúrgico, Sérgio Arap que cita 13 fatores de risco que podem provocar erros, entre eles a pressão de um caso de emergência. “Precisamos ter humildade e entender que erros podem acontecer.” As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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