tragédia ocorrida no Rio de Janeiro na última terça-feira foi um misto de chuvas acima do esperado e a ocupação irregular de áreas de risco da cidade. Meteorologistas concordam que a intensidade das precipitações surpreendeu e é de difícil previsão, mas ressaltam que foram emitidos alertas para a Defesa Civil. E uma análise do orçamento federal indica que a previsão de recursos para prevenção e resposta orçamentária é cerca de 46% menor neste ano do que em 2009." / tragédia ocorrida no Rio de Janeiro na última terça-feira foi um misto de chuvas acima do esperado e a ocupação irregular de áreas de risco da cidade. Meteorologistas concordam que a intensidade das precipitações surpreendeu e é de difícil previsão, mas ressaltam que foram emitidos alertas para a Defesa Civil. E uma análise do orçamento federal indica que a previsão de recursos para prevenção e resposta orçamentária é cerca de 46% menor neste ano do que em 2009." /

Meteorologistas alertaram Defesa Civil sobre chuvas de forte intensidade no Rio

Os governantes dizem que a culpa da http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/04/07/sobe+para+100+o+total+de+mortos+por+causa+da+chuva+no+rio+9450396.htmltragédia ocorrida no Rio de Janeiro na última terça-feira foi um misto de chuvas acima do esperado e a ocupação irregular de áreas de risco da cidade. Meteorologistas concordam que a intensidade das precipitações surpreendeu e é de difícil previsão, mas ressaltam que foram emitidos alertas para a Defesa Civil. E uma análise do orçamento federal indica que a previsão de recursos para prevenção e resposta orçamentária é cerca de 46% menor neste ano do que em 2009.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão do governo federal, detectou na última segunda-feira que a previsão para as próximas horas no Rio de Janeiro era de chuvas com forte intensidade, o que poderia colocar em risco moradores de áreas com potencial exposição a deslizamentos de terra.

O aviso foi feito para a Defesa Civil, que afirma ter tomado medidas preventivas, mas que não evitaram mais de cem mortes devido ao fato de as chuvas terem sido mais intensas do que se previa e pelas dificuldades de deslocamento de equipes e remoção de moradores.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB), e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) culparam o volume intenso de água pela tragédia e pediram que moradores deixassem as chamadas áreas de risco.

  • Vicente Seda

    Menino observa deslizamento no Morro Dos Prazeres

    Essa intensidade de chuva, de fato, não havia como prever. Mas nossos modelos já mostravam que haveria uma forte chuva no Rio de Janeiro e alertamos a Defesa Civil para que tomasse medidas cabíveis, afirma Morgana Almeida, meteorologista do Inmet.

    Ela explica que durante o monitoramento das condições climáticas é emitido um novo alerta para a Defesa Civil especificamente sobre a intensidade acima do esperado das chuvas.

     A chuva forte normalmente é um evento previsível. Fazemos um alerta qualitativo, informando com antecedência que a chuva pode ser de intensidade maior. Mas não é possível prever exatamente quanto vai chover em cada região. Essa análise quantitativa é mais difícil por fatores regionais, geográficos, condições excepcionais, diz Márcio Custódio, diretor técnico do Somar Meteorologia, empresa que em São Paulo é responsável pelos alertas à Defesa Civil.

    Custódio explica que a possibilidade de uma chuva forte já é o primeiro sinal de alerta para evitar problemas. Em São Paulo, a Defesa Civil monitora áreas de risco, como a encosta da Baixada Santista, e faz um cruzamento do que está previsto com o que já aconteceu no passado. Assim, é possível estimar o impacto que determinado volume de água teria e saber se a previsão coloca em maior risco essas regiões.

    Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo - maior empresa privada de meteorologia do País -, diz que volume absurdo como o que caiu no Rio, ninguém é capaz de prever. Pelos dados da Climatempo, em 33 horas choveu entre 150 mm e 400 mm (a diferença se deve ao fato de existirem pontos de medição distintos na cidade). A média de chuvas na cidade nos últimos cinco anos registra volume inferior a 100 mm.

    Uma conjunção de fatores ajuda a explicar, segundo os meteorologistas, a intensidade das chuvas. A temperatura no Rio de Janeiro foi cerca de seis graus acima da média para os meses de janeiro e fevereiro. Em março, os termômetros registraram três graus a mais do que o habitual. E a temperatura das águas do Oceano Atlântico estavam cerca de três graus acima da média. A combinação da chegada de uma massa de ar frio, encontrando-se com o ar ainda quente, numa região cercada por montanhas favoreceu a forte chuva.

     Está chovendo de maneira regular e acima da média desde a segunda quinzena de março, afirma Nascimento. Ele, porém, faz uma ressalva: Em tese, o alerta de fortes chuvas deveria desencadear os processos rotineiros da Defesa Civil.

    Além do aviso meteorológico, tragédias poderiam ser evitadas com a desocupação de áreas de risco e deslocamento de moradores para outras regiões, além de obras de contenção a potenciais desastres naturais. Há uma rubrica no Orçamento especificamente para prevenção e resposta aos desastres.

    Segundo dados da Consultoria de Orçamento da Câmara, o volume de recursos previstos para essas obras em 2010 é de R$ 1,4 bilhão - 46% a menos do que o previsto em 2009, que era de R$ 2,6 bilhões. O volume também é menor do que a previsão orçamentária de 2008, de R$ 1,6 bilhão.

    Previsto nem sempre é executado. No ano passado, foi executado R$ 1,8 bilhão (69%) do total. Nos três primeiros meses do ano, foram gastos cerca de R$ 100 milhões, execução de 7,14%.

    Esse dinheiro tem por objetivo, entre outras funções, garantir recursos para obras preventivas, fortalecer a Defesa Civil e prover assistência aos atingidos por desastres. Entre as obras estão a contenção de encostas, canalização de rios e córregos e drenagem superficial e subterrânea.

    O Ministério do Planejamento afirma que o orçamento é amoldado de acordo com as ocorrências e que em eventos extraordinários são liberadas verbas acima do previsto. 

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