SÃO PAULO ¿ O número de óbitos de crianças com mais de sete dias de vida ainda é preocupante, apontam dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Apesar da diminuição nas mortes de bebês nos últimos 10 anos, 50,9% dos registros de óbito infantil são de crianças entre sete e 364 dias de vida. Para o IBGE, o perfil está relacionado a causas plenamente evitáveis.

À medida que o Brasil avança nas questões estruturais relacionadas às áreas de saneamento básico e acesso à saúde, os índices de óbito de crianças com mais de 7 dias de vida deve diminuir. Em países mais desenvolvidos, 90% dos casos estão concentrados na faixa etária de 0 a 6 dias de vida.

O IBGE ressalta, no entanto, que a cobertura de registro de óbitos ainda é muito falha no País, tanto na morte de crianças como de adultos. Em 1998, 17,7% das mortes foram registradas com atraso. O número diminuiu para 11% no País, mas continua alto, segundo o instituto.

A inexistência de cartórios em cerca de 400 municípios brasileiros tem mais impacto para os óbitos (do que para os nascimentos) porque eles têm que ser feitos com rapidez, principalmente no caso de óbitos infantis, afirma o gerente de estatísticas vitais e estimativas populacionais do IBGE, Cláudio Crespo.

O problema é ainda maior nas Regiões Norte e Nordeste, onde 26,1% e 27,4% dos registros, respectivamente, foram realizados tardiamente em 2008. A região Sudeste tem cobertura praticamente plena e a Centro-Oeste, de 91,4%.

O cálculo é realizado a partir de estimativas do IBGE com dados do último censo, de 2000. Como os dados podem estar desatualizados, o cálculo da estimativa, feito a partir de variáveis como taxa de mortalidade e expectativa de vida, possibilita percentagens negativas. É o caso da Região Sul, com -1%. Segundo o IBGE, houve uma falha no cálculo da estimativa de mortes, que foi menor do que o número de registros de óbito na região.

Óbitos violentos

Jovens entre 15 e 24 anos do sexo masculino continuam sendo o principal alvo da violência, com 67,5% dos óbitos violentos do País. Embora a pesquisa não detalhe a causa das mortes, entende-se que estão relacionadas principalmente a homicídios, suicídios e acidentes de trânsito, segundo o IBGE.

No caso das mulheres, a porcentagem de óbitos de natureza violenta aumentou. O maior nível está nas regiões do centro-sul, com 39,4% dos óbitos. Desde 1998, a proporção média de óbitos violentos, tanto para homens quanto para mulheres, vem reduzindo gradativamente, atingindo a 14,7%, em 2008, no caso dos homens e, 3,81%, no das mulheres. As maiores proporções de óbitos violentos em 2008 foram observadas na Região Norte, respectivamente, 18,3% e 5,65%, para homens e mulheres.

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