Metade das escolas de SP aderiu à greve, diz sindicato

Metade das escolas estaduais de São Paulo aderiu à greve de professores, informou o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp). O presidente do sindicato, Carlos Ramiro de Castro, criticou os números divulgados no início da tarde pela Secretaria de Educação, indicando que 98% dos professores foram às escolas.

Agência Estado |

"Eles chutaram um número qualquer, para tentar nos desmobilizar", afirmou. "Os professores foram às escolas sim, mas para orientar os alunos sobre a greve, não para dar aula."

Os professores decidiram na sexta-feira entrar em greve por tempo indeterminado. Eles pedem reajuste salarial, melhores condições de trabalho, e protestam contra um decreto do governador José Serra (PSDB) que limita as transferências de professores entre escolas. Segundo a Apeoesp, paralisaram totalmente as atividades nesse primeiro dia de greve as escolas Brasílio Machado, na Vila Mariana; Jardim Sapopemba, na zona leste; Albino César, em Santana; Paulo Duarte de Fama, em Franco da Rocha; e Jorge Rahme, em São Bernardo do Campo. Amanhã, o sindicato divulgará dados de cada região do Estado.

Castro espera que o movimento ganhe força ao longo da semana. Na sexta-feira, será feita nova assembléia para definir os rumos da greve. "Nenhum trabalhador gosta de estar em greve", disse. "Paralisamos porque a situação chegou ao limite. Nossa esperança agora é que governo revogue o decreto e abra negociação." A última greve de professores no Estado aconteceu em 2000 e durou 20 dias. Os professores entregaram no início do ano a Serra uma pauta de reivindicações, em que pediam, entre outras coisas, que o salário do professor fosse equiparado ao salário mínimo ideal calculado pelo Dieese, de R$ 2 mil. O piso em São Paulo atualmente é de R$ 668 reais.

No decreto, o principal ponto contestado pelos docentes diz respeito à limitação de transferência e remoções. A Secretaria argumenta que as mudanças de escola prejudicam o ensino e a aprendizagem, mas Castro contesta. "Os procedimentos acontecem no início do ano, portanto não atrapalham em nada o andamento do ano letivo." Os professores criticam ainda uma lei do governo estadual que limitou a seis o número de faltas para tratamento médico. "Antes não havia limite, nem abuso", argumentou o presidente do sindicato. Os professores convocaram hoje pais de alunos para reuniões amanhã e quarta-feira nas escolas. Na quinta, haverá encontros regionais dos docentes no Estado. A continuidade ou não do movimento será votada na sexta, em uma assembléia na Avenida Paulista.

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