Afirmação de diretora do Instituto Sou da Paz foi feita durante audiência pública na Câmara dos Deputados sobre controle de armas

Existem cerca de 16 milhões de armas em circulação no Brasil e oito milhões delas são ilegais. A informação foi passada pela diretora do Instituto Sou da Paz Melina Risso durante participação em audiência pública da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado sobre o controle de armas.

Melina também afirmou ser impossível fazer uma distinção entre o mercado formal e o informal de armas. “É um mito acharmos que há armas do bem e armas do mal. O mercado ilegal é abastecido pelo legal.” Para ela, falta organização no compartilhamento de dados sobre o porte de armas entre os órgãos do governo. “É essencial entender como uma arma que estava no mercado legal foi parar na ilegalidade.”

O coordenador do programa de controle de armas do Movimento Viva Rio, Antônio Rangel Bandeira, explicou, com base em pesquisa do programa sobre apreensão de armas nos últimos dez anos, que o contrabando não é a fonte das armas utilizadas em crimes no Brasil. “Entre 7% e 10% das armas apreendidas no Brasil são estrangeiras. Vamos acabar com esse mito de que o que nos atinge são armas estrangeiras.”

O presidente do Movimento Viva Brasil, Bené Barbosa, disse não ver relação entre a venda legal de armas e o número de homicídios. Ele citou como exemplo o caso do estado de São Paulo, com o menor índice de homicídios do País e o maior número de armas legais. “O cidadão com arma legalizada não abastece as organizações criminosas. O principal problema está nas fronteiras e no contrabando de armas.”

Segundo ele, o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03) foi uma lei inócua, pois não lidou com o tráfico ilegal de armas. “O estatuto continua se mostrando ineficaz, pois não diminuiu os índices de homicídio no Brasil”, acrescentou.

O Movimento Viva Brasil afirma em seu site que se firmou nos últimos anos como a principal associação em defesa da utilização de armas, seja para defesa, esporte ou coleção.

Massacre em Realengo

Bandeira comentou durante a audiência pública que o massacre de Realengo foi um importante exemplo de onde vêm as armas usadas em crimes. Os dois revólveres utilizados na chacina foram fabricados no Brasil e um deles tinha sido roubado de uma residência.

O especialista cobrou mais pesquisas para nortear as políticas de segurança do Brasil. “A única forma de nossa polícia ter eficiência é basear-se em conhecimento científico". Segundo ele, as informações sobre produção e a comercialização de armas ainda são desconhecidas.

Com Agência Câmara

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