Meta da Política Nacional de Saúde do Homem é que 2,5 milhões usem serviços

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde lançou na manhã desta quinta-feira, em Brasília, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem na sede da Organização Pan-Americana de Saúde. A meta do ministério é que 2,5 milhões de brasileiros com idade entre 20 e 59 anos procurem o serviço de saúde pelo menos uma vez ao ano.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

O investimento previsto será de R$ 613,2 milhões até 2011. Os valores serão destinados ao aumento de procedimentos como vasectominas, ultrassonografias de próstata e de cirurgias para doenças do trato genital masculino, no período de 2009 a 2011.

O Ministério da Saúde prevê o aumento de 20% no número de ultrassonografias de próstata ¿ exame responsável pelo diagnóstico precoce de tumores malignos ¿ até o ano que vem. A meta, parte da Política Nacional de Saúde do Homem, é que o total de procedimentos passe de 78 mil em 2008 para 110 mil até 2010, com um investimento de R$ 4,4 milhões.

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de que 49.530 homens tenham câncer de próstata apenas este ano. O número representa uma proporção de 52 casos da doença para cada cada 100 mil homens. Segundo dados do Inca, a taxa de mortalidade por câncer de próstata passou de 6,3 para 13,9, entre 1979 e 2006. Um aumento de 120%.

O número de cirurgias para tratar tais doenças e os casos de câncer do trato genital masculino irão aumentar em 10% ao ano, passando de 100 mil, em 2008, para 110 mil, em 2009, alcançando 121 mil até 2010. De acordo com o ministério, a iniciativa vai ampliar o acesso ao tratamento, por exemplo, do câncer de pênis ¿ tumor relacionado às baixas condições socioeconômicas e à má higiene íntima.

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indica que pelo menos mil homens têm o pênis amputado todos os anos no Brasil por causa da doença.

Elza Fiúza/ ABr

Temporão lança a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem

Campanha

A campanha vem acompanhada de um vídeo para ser veiculado na televisão e spots de rádio, que reiteram os fatos de que a cada três mortes de pessoa adultas (de 20 a 59 anos), duas são homens no Brasil. Além disso, eles vivem sete anos a menos que a mulher.

Temos políticas de saúde para tudo que pudermos imaginar, menos para os homens que vivem uma situação delicada no quesito mortalidade, afirmou o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão.  Eles têm medo de descobrir que estão doentes, não se cuidam e são menos sensíveis às campanhas, completa.

Segundo o ministro, a campanha quer acabar com o preconceito masculino de cuidar da própria saúde. A campanha resulta de um longo processo que envolveu secretarias estaduais, municipais e audiência pública. De acordo com o perfil levantado pelo ministério, o homem adulto brasileiro tem mais diabete, mais alta pressão alta. Estão mais expostos a acidentes de trânsito e de trabalho.  Bebem mais e estão mais expostos a drogas.

Na prática

Há previsão de trabalhos conjuntos com estados e municípios para a criação de planos locais para receber melhor os pacientes. Duas parcerias já foram seladas entre o Ministério e o SESI e as Forças Armadas.

No caso do SESI, grandes indústrias com de mais mil trabalhadores farão campanhas de conscientização, com apoio das centrais sindicais, CUT e Força Sindical.  Com as forças armadas, vamos começar um trabalho dentro do exército, explicou o coordenador de saúde do homem, Baldur Schubert.

O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, reforçou que o maior desafio da nova campanha é promover uma mudança cultural nos homens e também nas equipes de saúde.

Beltrame explica que a maior parte dos casos de mortalidade está vinculada à falta de higiene, prevenção e a descoberta tardia das doenças. O Brasil, por exemplo, tem mil casos de amputação de pênis por ano, por causa do câncer de pênis, citou.  

(*com informações da Agência Brasil)

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