Mais um caso de abuso nas viagens pagas com recursos da Câmara veio a público ontem. Amparados pela falta de regras claras para a emissão de passagens, cinco dos onze integrantes da Mesa Diretora usaram a cota de transporte aéreo para viajar para o exterior ou patrocinar viagens de parentes e amigos.

Na maior parte dos casos, os bilhetes foram emitidos antes de os deputados assumirem os cargos no comando da Casa. Ao todo, foram 49 viagens internacionais em 2007 e 2008.

Ex-corregedor e atual segundo-secretário, Inocêncio Oliveira (PR-PE) foi o único a utilizar a cota para passagens internacionais de parentes quando ocupava a Mesa Diretora. Viajaram com o recurso público a mulher, três filhas e uma neta de Inocêncio. O deputado não participou das viagens. Os outros parlamentares que hoje integram a Mesa Diretora e nos anos anteriores usaram a cota para viagens ao exterior foram o terceiro-secretário, Odair Cunha (PT-MG), o quarto-secretário, Nelson Marquezelli (PTB-SP), o terceiro suplente, Leandro Sampaio (PPS-RJ), e o quarto suplente, Manoel Junior (PSB-PB).

Segundo reportagem do portal "Congresso em Foco" publicada ontem, Ana Elisa, mulher de Inocêncio, e a filha Shely viajaram para Nova York, Frankfurt e Milão graças às cotas do gabinete. Em nome de outras duas filhas foram emitidos bilhetes também para Nova York e Frankfurt. Para a neta Amanda, a viagem foi a Miami. Inocêncio disse ontem que, ao longo do ano, usava as cotas para passagens mais baratas, a fim de guardar cotas e depois ceder à família. “Eu fazia economia, viajava em voo mais em conta. Nas férias, se tinha cota de passagem (sobrando), era um direito. A família é sagrada, não tem nada demais”, disse Inocêncio. “Não tinha ilegalidade porque não era proibido.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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