Mesa do Senado autoriza contratação de 97 assessores

A Mesa Diretora do Senado decidiu ontem autorizar os 81 senadores e 16 líderes de bancada a preencher mais um cargo comissionado de assessor técnico. A vaga é a que tem o maior salário entre os funcionários não-concursados da Casa: R$ 9,97 mil.

Agência Estado |

Só que, como todos os gabinetes dispõem de seis assessores deste nível, o cargo pode ser dividido por até quatro funcionários. O novo auxiliar aumentará a despesa anual do pessoal ativo - hoje de R$ 1,46 bilhão - em mais de R$ 11 milhões por ano. O gasto no período com aposentados é de R$ 600 milhões.

Ninguém assumiu a paternidade pelo aumento das despesas. O presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que não só se manifestou contra o aumento, como até fez uma advertência sobre a "inconveniência" disso. Mas foi voto vencido. O primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), não foi localizado em nenhum dos telefones. Segundo a assessoria de Morais, ele estava "na fazenda, no sertão". O diretor-geral da Casa, Agaciel Maia, atribui o crescimento da despesa à relação que existe entre Câmara e Senado - quando a primeira aumenta a verba, a segunda Casa sente-se obrigada a criar um cargo correspondente a esse acréscimo de dispêndio.

O segundo-vice-presidente do Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), e o terceiro-secretário, César Borges (PR-BA), dizem ter ouvido do primeiro-secretário do Senado a explicação de que foram os líderes que pediram a criação de mais um cargo. Os líderes negam. "Negativo, foi uma decisão da Mesa", alegou o líder do DEM, José Agripino (RN). Segundo Agripino, a abertura de mais uma vaga nos gabinetes foi conversada - e derrubada - há cerca de três meses. Os líderes do PMDB, Valdir Raupp (RO), do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e do PSB, Renato Casagrande (ES), dizem, igualmente, que não têm responsabilidade pela ampliação da folha de pagamento. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que o assunto surgiu em maio, mas que, na ocasião, Garibaldi disse que a elevação de gastos não seria concretizada. "Pensei que o assunto estava morto", alegou. Simon disse que pedirá a retirada do aumento.

Já o presidente do Congresso ficou na alegação de que foi contra. "Fui contra o valor, tudo que foi decidido não contou com a minha aprovação", reiterou. "É que o Senado, na verdade, não está precisando criar mais cargos, há outras prioridades. Pega mal, não vai ser bem entendido, nem assimilado", afirmou, deixando claro que também ele se surpreende pela quantidade de contratados pelos gabinetes.

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