SÃO PAULO, 1o de dezembro (Reuters) - A economia brasileira deve registrar no próximo ano uma taxa expansão abaixo de 3,0 por cento e a inflação deve se manter em patamar elevado, assim como o juro, mostrou pesquisa divulgada nesta segunda-feira. De acordo com levantamento do Banco Central com economistas e empresas do país, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 deve ser de 2,80 por cento, abaixo da marca de 3,0 por cento projetada até o levantamento da semana anterior.

Para este ano, as projeções ainda apontam para um crescimento de 5,24 por cento.

A piora na estimativa para 2009 reflete a deterioração das perspectivas para a economia global, afetada pela crise financeira que se arrasta há mais de um ano pelos mercados mundiais.

O governo brasileiro, entretanto, insiste que o país tem condições de crescer 4,0 por cento no próximo ano.

O cenário traçado para o comportamento da inflação e do juro em 2009 também piorou, de acordo com o resultado da pesquisa.

Segundo as estimativas, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 5,25 por cento em 2009, acima dos 5,20 por cento projetados no levantamento anterior.

Para 2008, os analistas consultados pelo BC esperam uma alta de 6,35 por cento, abaixo dos 6,39 por cento projetados anteriormente.

A meta de inflação para os dois anos é de 4,5 por cento, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Diante das incertezas que circundam as decisões de política monetária, por conta do cenário econômico atual, os analistas reafirmam a aposta que a taxa Selic será mantida em 13,75 por cento na próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza a última reunião de 2008.

Para o próximo ano, o cenário elaborado pelos analistas prevê uma queda marginal da taxa, que fechará o ano em 13,50 por cento.

Os cálculos dos analistas para a taxa de câmbio também sofreram alterações. De acordo com a pesquisa, o dólar deverá encerrar o ano de 2008 valendo 2,20 reais. Para o final de 2009, a projeção é que a moeda norte-americana valerá 2,15 reais.

(Reportagem de Renato Andrade)

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