O senador Aloizio Mercadante (SP) fará um discurso da tribuna do plenário hoje à tarde para anunciar que deixará o cargo de líder do PT. A informação foi confirmada pela assessoria do parlamentar.

A situação de Mercadante na liderança petista ficou insustentável por causa do encaminhamento que deu à bancada no Conselho de Ética: ele se negou anunciar ontem a posição do partido pelo arquivamento de ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Na reunião do Conselho de Ética, os senadores petistas votaram pelo arquivamento das 11 ações movidas contra José Sarney. Antes de anunciar o voto, o senador João Pedro (PT-AM) leu uma nota assinada pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), na qual a bancada era orientada a minar uma eventual abertura de processo contra o presidente da Casa.

Segundo o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que votou na condição de suplente do colegiado, Mercadante havia sido incumbido pelo PT de anunciar o conteúdo da nota, mas, em cima da hora, desistiu de anunciar a posição do partido e pediu que João Pedro a lesse em seu lugar. Mercadante ainda contrariou a orientação de Berzoini e disse que sua posição era a de que arquivar todas as ações contra o peemedebista não seria a melhor maneira de solucionar a crise política no Senado.

Após a reunião do Conselho de Ética, a bancada petista se reuniu no gabinete da Liderança do partido, mas os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Ideli Salvatti (PT-SC), que, pouco antes haviam votado pelo arquivamento das denúncias, não participaram. Os senadores Marina Silva (AC) e Flávio Arns (PR) anunciaram, ainda ontem, que deixarão o PT - Marina para ser candidata à Presidência da República pelo PV e Flávio Arns porque se disse "envergonhado" com a posição da legenda na condução da crise política.

Depois dessa reunião, Mercadante disse à imprensa que ficaria no cargo e que só abriria eleição para escolha de um novo líder caso algum senador se manifestasse neste sentido. Hoje, porém, Mercadante conversou com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e afirmou que não se sente mais em condições de liderar o PT no Senado.

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