Mercadante vai conversar com Lula antes de discursar no Senado

BRASÍLIA - O discurso do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) no plenário do Senado, inicialmente marcado para as 15h, deve atrasar, já que o petista vai conversar antes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre sua decisão de renunciar à liderança do partido na Casa.

Severino Motta, repórter em Brasília |

Mercadante decidiu deixar o cargo em decorrência da decisão do partido de arquivar nesta quarta-feira a abertura de investigação pelo Conselho de Ética contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o que contrariou decisão tomada pela bancada petista.

Agência Brasil
Senador Aloizio Mercadante ao deixar o Conselho de Ética na quarta-feira

Aloizio Mercadante ao deixar o Conselho de Ética na quarta-feira

O senador deve fazer um discurso no plenário da Casa nesta quinta-feira para dar sua versão dos fatos que o levaram à decisão. "Eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável ", escreveu Mercadante no microblog Twitter.

O petista afirmou ainda que aguarda a chegada de Lula a Brasília para conversar com o presidente. "Devo isso a ele, pela nossa história em comum e meu compromisso com o governo. Recebi telefonema do ministro Múcio [Relações Institucionais], avisando que o presidente Lula quer conversar comigo pessoalmente antes do meu pronunciamento".

De acordo com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Mercadante conversou com alguns de seus colegas na manhã desta quinta-feira comunicando sua decisão. O senador refletiu, a gota d'água foi o episódio de ontem [no Conselho de Ética], e disse que não quer continuar na liderança, explicou.

Mercadante tentou, ao longo da crise no Senado, levar sua bancada a votar a favor da abertura de pelo menos um processo contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

Depois de tentar contrariar, sem sucesso, os interesses do Planalto, ele ainda se recusou a ler nota de seu partido no Conselho de Ética sobre a posição do PT para os processos contra Sarney.

Tal fato irritou os senadores petistas membros do Conselho, que tiveram de arcar com os ônus do apoio ao presidente do Senado sem contar com solidariedade de seu líder, e abriu um racha no partido . Ou, como disse Delcídio Amaral (PT-MS) na quarta-feira após a absolvição de Sarney no Conselho de Ética, o ainda líder.

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