Mercadante: Temos feito alertas de desastres com grande eficácia

Segundo o ministro, o governo tem avançado na missão de evitar mortes em casos de inundações e deslizamentos

Danilo Fariello, iG Brasília |

AE
Ministro comenta que sistema contra desastres não se restringe ao Cemaden, que deverá fortalecer o que já existe
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante , procurou o iG para esclarecer os esforços do governo federal ao longo deste ano para evitar fatalidades em novos desastres naturais, principalmente ao unir ações de diversas Pastas. Ele não indica exatamente quando a sala de controle do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais ( Cemaden ) em Cachoeira Paulista (SP) estará pronta, mas diz que o governo fez alertas recentes que já resultaram em menos mortes. "Não é vamos fazer, estamos fazendo."

Leia também: Sistema de alertas de desastres naturais fica para verão de 2013


Disse o ministro:

Aloizio Mercadante: Em primeiro lugar, temos um sistema extremamente eficiente de previsão meteorológica no âmbito do ministério, que é o Centro de Previsão de Tempos e Estudos Climáticos (CPTec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Além disso, esse sistema tem tido integração crescente com uma rede de pluviômetros e hidrômetros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), usados para agricultura, e radares da Aeronáutica. Integramos neste ano os radares regionais a essa rede, como os de Alagoas e Rio. Instalamos também novos radares, como um no Ceará, que abrange quatro Estados. Estamos trabalhando junto aos governadores para expandir essa rede de radares. Estamos com um projeto-piloto de instalar pluviômetros em antenas de televisão, o que melhorará muito nossa capacidade de análise. Temos feito alertas com grande eficácia neste ano. Não é vamos fazer, estamos fazendo.

iG: Isso tudo já funciona no âmbito do Cemaden, ministro?
Mercadante:
O Cemaden está sendo construído dentro do CPTec. Não é um novo centro, é uma estrutura integrada. Neste ano, o melhor exemplo que temos de eficácia foram fortes precipitações em Santa Catarina em setembro . Novecentas mil pessoas foram atingidas, 200 mil pessoas foram desalojadas e tivemos apenas três mortes e nenhuma diretamente associada às inundações. Foi um telhado que desabou e o remo de uma embarcação que bateu em fio de alta tensão. Diferente de 2008, em que tivemos milhares de mortes em Santa Catarina. Ontem mesmo o Cemaden fez um alerta de risco moderado para Vitória (ES).

iG: Esse alerta partiu do próprio Cemaden?
Mercadante:
O Cemaden está atuando junto com o CPTec. É isso que estou te dizendo. Ontem fizemos um alerta moderado na grande Vitória. Havia risco e nós alertamos o governo do Estado e as prefeituras.

iG: Mas esse alertas já existiam antes.
Mercadante:
Por isso que o que eu digo é que estamos fortalecendo o que já existe. O Cemaden funciona dentro do CPTec em Cachoeira Paulista. É o mesmo sistema. Nós contratamos 20 bolsistas, cinco especialistas de alto nível e fizemos concurso para 75 especialistas.

iG: Ministro, mas foi anunciado pelo senhor e pela presidenta Dilma Rousseff neste ano um novo centro de monitoramento e alertas. Isso funcionaria já neste ano.
Mercadante:
Tudo isso que estou te falando faz parte do esforço que nós tivemos para criar um sistema de alertas neste ano, que está funcionando e cada vez mais se aprimorando, integrando tudo que não estava integrado no Brasil: Inmet, Aeronáutica, radares estaduais. Portanto, ampliou os pluviômetros e a capacidade de monitoramento. Agora estamos contratando mais 75 especialistas para ter um reforço no monitoramento 24 horas por dia.

iG: Mas, ministro, quase não houve investimento novo, no novo centro.
Mercadante
: Só o radar que inauguramos no Ceará custou mais de R$ 15 milhões. Você não pode pegar uma rubrica no orçamento e avaliar um sistema dessa complexidade. São onze ministérios envolvidos.

iG: Mas não se pode pegar investimentos que já eram feitos e colocar em um programa novo.
Mercadante:
Mas nós estamos fortalecendo. Só vai ter um sistema no Brasil. Nós não vamos ter dois sistemas. O que o governo faz é integrar os instrumentos. Não tem sentido pensar no Cemaden com radares que não sejam os existentes. O trabalho foi integrar tudo isso.

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