Mercadante recua e diz que, por Lula, seguirá como líder do PT no Senado

BRASÍLIA - O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) recuou, em discurso nesta sexta-feira no plenário do Senado, e disse que decidiu ficar no cargo de líder de seu partido na Casa, a pedido do presidente Lula, apesar de se sentir frustrado por não ter conseguido impedir o arquivamento das ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

Segundo o petista, Lula lhe enviou uma carta pedindo que ele ficasse na liderança do partido. "Companheiro Mercadante, você me expressou sua indignação com a situação do Senado. Respeito sua posição, mas não posso concordar com sua renúncia à liderança da bancada do PT. A bancada e eu consideramos você imprescindível. Quero que fique. É um pedido sincero do amigo Luiz Inácio Lula Silva", escreveu Lula. ( Leia a carta na íntegra )

Agência Senado
O senador Aloizio Mercadante, durante sessão plenária nesta sexta-feira

"Mais uma vez não tenho como dizer não ao presidente Lula. Meu governo errou, o partido errou e eu errei. Eu peço desculpas, mas, pela minha história com o Lula, não posso dizer não ao meu companheiro presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva", disse o senador.

Mercadante não deixou, porém, de manifestar sua insatisfação com a decisão do Conselho de Ética. "Subo a essa tribuna com o sentimento da frustração. De um homem que lutou, e eu lutei. Nunca aceitei o caminho fácil da condenação sem defesa, porque esse não é o caminho da democracia. Ainda que seja mais fácil do ponto de vista eleitoral", afirmou.  

O senador destacou que a bancada do partido sustentou que o melhor caminho seria o afastamento do Sarney e uma "apuração rigorosa especialmente aquilo que diz respeito ao Senado". "A apuração (dos atos secretos), a transparência eram o caminho para a reformulação do Senado", disse.

De acordo com Mercadante, depois da decisão do Conselho de Ética, ele fez uma breve reunião com a sua bancada. "Minha vontade é deixar a liderança, porque não tivemos força para criar um caminho alternativo. Esbarramos no PMDB e no apoio do meu governo e do meu partido. Mas não foi a posição da minha bancada nem a minha posição", declarou.

Quase uma hora antes da chegada do senador petista ao plenário, o colega de legenda João Pedro (AM) anunciou, em sua página pessoal no Twitter, que Mercadante devia ficar no cargo de líder partido.

Ao chegar ao plenário, Mercadante ganhou o afago de uma garotinha (Valentina, filha de Rose Gomes, assessora da liderança do PT), enquanto aguardava o momento de discursar, já que o senador Mão Santa (PMDB-PI) estava com a palavra e o fez esperar por cerca de meia hora.

Renúncia

Na quinta-feira, Mercadante havia dito que tinha decidido deixar o cargo após a decisão do partido de arquivar definitivamente todas as acusações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética. Ele havia sinalizado que estava disposto a desarquivar pelo menos uma acusação ¿ aquela que denunciava Sarney por ter intermediado a favor do namorado de sua neta um emprego no Senado.

No mesmo dia, Mercadante afirmou, por meio da sua página no site de relacionamentos Twitter, que subiria à tribuna para apresentar a renúncia em caráter irrevogável.

Mercadante tentou, ao longo da crise no Senado, levar sua bancada a votar a favor da abertura de pelo menos um processo contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

Depois de tentar contrariar, sem sucesso, os interesses do Planalto, ele ainda se recusou a ler nota de seu partido no Conselho de Ética sobre a posição do PT para os processos contra Sarney.

Tal fato irritou os senadores petistas membros do Conselho, que tiveram de arcar com os ônus do apoio ao presidente do Senado sem contar com solidariedade de seu líder, e abriu um racha no partido. Ou, como disse Delcídio Amaral (PT-MS) na quarta-feira após a absolvição de Sarney no Conselho de Ética, o ainda líder.

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