Mesmo sentado na cadeira de líder do PT, o senador Aloizio Mercadante (SP) deixou na quarta-feira o Conselho de Ética do Senado ostentando o título de grande derrotado na operação política que livrou o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), de um processo de cassação.

Agência Brasil
Senador Aloizio Mercadante ao deixar o Conselho de Ética na quarta-feira

Aloizio Mercadante ao deixar o Conselho de Ética na quarta-feira

O senador entrou em confronto com a direção nacional do PT, ficou sem condições de diálogo com a cúpula do PMDB no Senado e deixou irados o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata petista à Presidência, a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.

Admito que isso vai dificultar minha interlocução com o Planalto e com o governo, disse Mercadante, insistindo em responsabilizar Sarney pela dificuldade que o PT vive hoje.

Racha no PT

Com os votos dos três representantes do PT, o Conselho de Ética absolveu na quarta-feira o presidente do Senado e o líder dos tucanos, o senador Arthur Virgílio (AM). O arquivamento de todas as denúncias e representações, que fazia parte do acordão selado na semana passada entre líderes governistas e a oposição, abriu uma crise na bancada do PT .

Além da acusação de negar solidariedade aos petistas forçados a absolver o peemedebista, Mercadante sai do episódio com uma baixa em sua própria bancada - a do senador Flávio Arns (PR), no mesmo dia em que perdeu Marina Silva (AC).

Desconforto

Não radicalizei. Simplesmente não cedi, disse ele, ao confessar seu desconforto à frente da liderança. O mais coerente e melhor para mim, politicamente, seria eu renunciar. É o que eu teria feito logo após a reunião do conselho, não fosse o apelo sincero de todos, inclusive do senador João Pedro (AM), de que minha saída agravaria mais a situação do partido. Mercadante observou que a possibilidade de renúncia ainda está em aberto.

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