Mensalão: ex-secretário do PT nega influência de Dirceu

O ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno foi ouvido hoje no Rio de Janeiro no processo do mensalão, denunciado pelo deputado cassado Roberto Jefferson em 2005. Convocado como testemunha do deputado cassado José Dirceu, um dos 40 réus do processo aberto no Supremo Tribunal Federal (STF), Sereno colaborou com a tese da defesa ao negar que o ex-ministro da Casa Civil influenciasse a cúpula do PT quando foram acertados empréstimos milionários avalizados pelo empresário Marcos Valério, acusado de operar um esquema de caixa 2 eleitoral e suborno de parlamentares estimado em R$ 55 milhões.

Agência Estado |

Ao responder as perguntas do principal advogado de Dirceu, José Luiz de Oliveira Lima, Sereno disse nunca ter visto o ex-ministro tratando das finanças do PT enquanto ocupava a Casa Civil. Segundo Sereno, Dirceu era muito ocupado com a agenda de audiências e a assessoria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, ele confirmou que o então secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, e o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, que não tinham cargos no governo, iam "muitas vezes" ao 4º andar do Palácio do Planalto, mas na condição de integrantes da Executiva do PT, para discutir indicações para cargos com representantes de outros partidos.

"Havia um processo de discussão entre os diversos partidos políticos para, em tese, escolher as melhores pessoas para a administração pública. Obviamente que os diversos partidos tomavam conhecimento desse processo", afirmou ele, acrescentando que, pelo que vê na imprensa, a partilha política permanece. Segundo Sereno, Jefferson, que confessou ter recebido recursos não declarados do PT e também é um dos réus do processo, participou de várias dessas reuniões, mas ressaltou nunca ter presenciado negociação de dinheiro.

Marcos Valério

Embora tenha sido chefe de gabinete e assessor especial de Dirceu na Casa Civil até 2004, Sereno disse não se lembrar bem de o ex-ministro ter recebido Valério. "Que me lembre, foi uma vez, mas não tenho certeza", respondeu a uma advogada de outros réus. Segundo ele, seus contatos com Valério aconteceram depois de sua saída do governo, quando foi procurado pelo empresário, interessado em prestar serviços de comunicação para o PT na campanha de 2004 em Petrópolis (RJ). O juiz da 9º Vara Criminal Federal do Rio, José Eduardo Nobre Matta, ouviu também mais três testemunhas no Tribunal Regional Federal da 2º Região (TRF-2), no centro da capital fluminense.

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