SÃO PAULO - A queda de 70% na taxa de homicídios no Estado de São Paulo entre 1999 e 2008 teve como algumas das mais importantes causas a redução relativa da população entre 15 e 24 anos - a que mais pratica e é vítima de assassinatos - e uma diminuição estimada em 60% no estoque de armas em poder da população entre 2001 e 2007.

A questão demográfica e o controle de armas já vinham sendo apontados como fatores importantes da queda, mas nova safra de estudos acadêmicos traz indicações bem mais rigorosas sobre como foram de fato decisivos.

A taxa de homicídios paulista caiu de 35,71 por 100 mil habitantes por ano para 10,69, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Em 2009, porém, ela voltou a subir e já está acima de 11 por cem mil. A contribuição do nosso trabalho foi olhar de forma muito cuidadosa e detalhista a correlação entre queda das armas e de homicídios em São Paulo, que já estava estabelecida, mas para a qual agora podemos determinar a causalidade precisa, além de parâmetros para a sua intensidade, diz Gabriel Hartung, da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, autor do trabalho sobre armas.

No caso da demografia, um estudo do economista João Manoel Pinho de Melo, da PUC-Rio, indica que o padrão de redução do tamanho relativo do grupo de 15 a 24 anos, que influenciou a queda dos homicídios em São Paulo, está se replicando, com defasagem de alguns anos, em boa parte do Brasil - o que pode levar o País a uma significativa redução de homicídios nos próximos anos. Mas, em torno do ano 2000, há um número de nascimentos bem maior do que o padrão recente, indicando um grupo relativamente grande de jovens de 15 a 24 anos de 2015 a 2025, o que poderia impulsionar novamente os homicídios. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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