A família da adolescente Josiele Gomes de Oliveira, de 15 anos, de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, denunciou hoje à Polícia Civil negligência médica no atendimento da menina, que morreu ontem de meningite bacteriana. O corpo de Josiele foi enterrado hoje em clima de revolta por parte dos familiares, que acusam os médicos de desleixo ao deixar de pedir exames que pudessem diagnosticar a doença.

Ela procurou o serviço de saúde municipal no dia 9, com dores no ouvido e foi atendida por uma médica infectologista, que constatou otite, receitou antiinflamatórios e a liberou. A irmã de Josiele, Juliana Oliveira, de 18 anos, disse que a médica não acreditou que a adolescente sentia dor de cabeça, dizendo que era "manha" da moça.

A enfermidade só foi diagnosticada no dia 14, quando Josiele deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, em coma, depois de ter passado por atendimentos em unidades de saúde da cidade sem que os médicos diagnosticassem a doença. De acordo com a médica Deuzi Gôngora, a paciente não pôde ser salva porque o diagnóstico da enfermidade foi tardio.

Hoje, a família decidiu denunciar o caso no 3º Distrito Policial (DP), onde foi aberto um inquérito para apurar homicídio culposo. Segundo o delegado José Luis Chaim, serão ouvidos familiares e todos os médicos que atenderam Josiele. A família doou órgãos da adolescente. Foram doados córneas, rins, pâncreas e fígado. Os rins e o pâncreas foram levados para a capital paulista e o fígado, a Campinas (SP); as córneas ainda estão em Rio Preto, pois o prazo de transplante é de 15 dias. O coração não pôde ser doado por causa do comprometimento pela doença.

Secretaria

A Secretaria de Saúde da prefeitura de São José do Rio Preto informou que analisará a conduta da médica em relação à paciente e o resultado será enviado para o Conselho Regional de Medicina (CRM). Hoje, o secretário de Saúde, Arnaldo Almendros, apressou-se em defender a médica, mas afirmou que o caso será apurado.

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