Meninos têm mais distúrbios mentais, aponta estudo

Meninos têm até quatro vezes mais risco do que meninas de desenvolver problemas emocionais, de aprendizagem na escola, de comportamento, além de distúrbios mentais. A constatação foi apresentada neste mês em Londres, em evento sobre educação para crianças com necessidades especiais.

Agência Estado |

Segundo revisão da literatura científica, parte da culpa pelos problemas no desenvolvimento dos meninos vem da cultura e da sociedade modernas.

“Estamos empurrando nossos meninos para doenças como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou para ter dificuldades na alfabetização”, diz a educadora inglesa Sue Palmer, que há anos pesquisa o desenvolvimento infantil. Autora de dois livros - ainda sem tradução no Brasil - que caracterizam a infância atual de “intoxicada”, Sue adiantou resultados de suas pesquisas sobre diferenças de gênero no Special Needs London.

O evento, promovido pela National Association for Special Education Needs (Nasen), reuniu milhares de professores do Reino Unido em palestras e numa feira de produtos para crianças com necessidades especiais. As conclusões da especialista serão publicadas em maio em seu novo livro, 21st Century Boys (Meninos do Século 21). Segundo ela, as explicações sobre a maior prevalência das doenças em meninos começam nos aspectos evolutivos.

O homem, responsável desde os primórdios pela caça e pelas estratégias, é um ser mais inclinado a uma personalidade sistemática. Já as mulheres, ocupadas em dar à luz e cuidar da criação dos filhos por séculos, tendem a ser mais empáticas. Entre as pesquisas analisadas por Sue está um estudo da Universidade de Cambridge, publicado em 2003, que indica que essas diferenças estão também ligadas ao nível de testosterona.

Cérebro masculino

E que o homem - e seu tipo sistemático - tem mais dificuldade em se relacionar com as pessoas, expor suas emoções, o que leva a um vocabulário mais pobre. A pesquisa conclui que o autismo, doença que faz com que a pessoa se isole do mundo exterior, poderia ser caracterizado como “o cérebro masculino ao extremo”. “Na sociedade moderna, em que há cada vez menos comunicação entre pais e filhos, e cada vez mais interação com computadores e TVs, os homens acabam tendo mais dificuldades ainda”, diz Sue. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

Renata Cafardo

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