Menino torturado com agulhas deve ter alta em 15 dias

Os médicos do Hospital Ana Neri, de Salvador, esperam que o menino de 2 anos e 7 meses, de Ibotirama, 668 quilômetros a oeste da capital baiana, perfurado com 31 agulhas, tenha alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica da unidade até amanhã. Segundo as projeções, a criança deve ter alta hospitalar em até 15 dias.

Agência Estado |

A criança foi submetida ontem à terceira cirurgia para a retirada de agulhas - quatro, desta vez, nas áreas do pescoço e do ombro esquerdo - e mostrou sinais de rápida recuperação. Nesta manhã, o menino foi submetido a testes físicos e a uma tomografia, que constataram que ele está com boa saúde, respira e se alimenta sem auxílio e não corre mais risco de morte.

Nove agulhas ainda estão em seu corpo, mas segundo a equipe médica não oferecem risco à saúde do menino, não precisam ser retiradas com urgência. As cirurgias para a remoção desses objetos também seriam menos invasivas. Apesar disso, a saúde da criança precisará passar por constante monitoramento, durante, pelo menos, cinco anos.

Inquérito

Em Ibotirama, o delegado Hélder Fernandes Santana encaminhou à Justiça o inquérito policial sobre o caso. No documento, o padrasto da criança, o auxiliar de serviços gerais Roberto Carlos Magalhães, de 30 anos, e sua suposta amante, Angelina Ribeiro dos Santos, foram indiciados por tentativa de homicídio qualificado - pena prevista de 4 a 20 anos de reclusão. O processo deve ser conduzido pelo Ministério Público em Seabra, município a 200 quilômetros de Ibotirama. "Estamos sem promotor público na cidade", justifica Santana.

Magalhães e Angelina cumprem prisão preventiva autorizada pela Justiça. Angelina está na carceragem da Delegacia de Ibotirama e Magalhães em uma cidade da região - que a polícia não revela por causa das ameaças de linchamento que o acusado vem sofrendo da população de seu município.

O padrasto do menino confessou o crime e, em depoimento, incriminou Angelina. Inicialmente, ele também havia citado a participação da mãe-de-santo Maria dos Anjos Nascimento, conhecida na cidade como Bia, mas voltou atrás na acusação."Além disso, não encontramos provas que a incriminassem." Bia foi liberada da prisão temporária na sexta-feira.

De acordo com o delegado, não há dúvidas sobre a participação do padrasto no crime. No entanto, a polícia admite não ter conseguido reunir provas nem depoimentos que incriminassem Angelina. "O suspeito continua afirmando que ela teve participação, mas Angelina mantém o testemunho de que não tem nenhuma relação com o crime. Deixei a questão a critério da Justiça."

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