NOVA YORK (Reuters) - O menino Sean, de 9 anos, que voltou aos Estados Unidos com seu pai biológico após uma prolongada batalha judicial no Brasil, ainda não chama David Goldman de papai, mas David disse que pretende recuperar o tempo perdido após cinco anos separado do menino. Pai e filho voltaram aos EUA na véspera do Natal, depois de a família da falecida mãe do menino desistir de lutar na Justiça por sua permanência no país. A disputa afetou as relações bilaterais e chegou a ameaçar a renovação de um benefício comercial de bilhões de dólares dos EUA para o Brasil.

Cumprindo ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), a família brasileira entregou o menino na quinta-feira de manhã ao Consulado norte-americano no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao programa "Today", da rede NBC, David Goldman disse que Sean "ainda não me chamou de nada." "E acho que ele está lutando com isso. Eu disse: 'Pode me chamar de papai'. E ele não disse nada", afirmou.

"Eu perdi cinco anos, preciosos anos, da vida do meu filho. Essa é uma grande cicatriz. Mas agora estamos juntos. E vamos nos curar. E vamos aproveitar e viver e amar e partilhar e chorar e rir e aprender como pai e filho."

A NBC fretou um jato para levar os Goldmans aos Estados Unidos, e teve acesso exclusivo a David e Sean, que estão hospedados em Orlando, na Flórida.

David lutava desde 2004 pelo direito de levar Sean para a casa da família em Nova Jersey. A mãe dele, a brasileira Bruna Bianchi, havia trazido o menino, que nasceu nos EUA, para uma temporada no Brasil. Uma vez no país, divorciou-se de David e se casou novamente.

Ela morreu no ano passado, quando dava à luz uma filha. O segundo marido e a família dela tentaram manter a custódia do menino. David prometeu que a avó brasileira de Sean terá direito de visitá-lo.

A entrega de Sean no consulado norte-americano foi caótica. O menino, chocado, escondia as lágrimas com as mãos, enquanto pai e filho tentavam atravessar a multidão de jornalistas.

"Espero que ele não tenha pesadelos com esse dia durante a vida inteira", disse Goldman. "Meu coração andou partido, e partido muitas vezes, e muitas vezes mais, ao longo de todo este terrível drama. Eu nunca irei compreendê-los. Nunca."

(Reportagem de Daniel Trotta)

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