Menino operado para tirar agulhas deixa UTI no réveillon

O menino M.S. A, de 2 anos, que teve o corpo penetrado por dezenas de agulhas, começa o ano novo com perspectivas reais de recuperação plena. Ele também está fora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica, onde permaneceu por cerca de quinze dias.

iG São Paulo com Agência Estado |

O menino foi transferido para uma das enfermarias do Hospital Ana Néri, em Salvador, na noite de ontem. A direção do hospital isolou três leitos, para que ele possa ficar sob os cuidados da mãe, Maria Souza Santos.

Ao deixar a UTI, carregada de presentes, a mãe do menino evitou falar sob a crueldade imposta ao seu filho caçula. Preferiu se mostrar agradecida à ajuda e à solidariedade de todos que têm contribuído com doações. "Estou muito feliz porque meu filho está se recuperando. Os médicos conseguiram salvar a vida dele e não esperava receber tantos presentes", disse.

De acordo com o hospital, M.S.A passa bem e deve receber alta em 10 dias. A criança foi submetida a três cirurgias para retirada de agulhas na região do pescoço, do canal medular, coração, pulmão, fígado, bexiga e intestino. Ao todo foram retiradas 22 agulhas. Outras que não causam risco de vida não serão removidas, ao menos por enquanto.

Assista ao vídeo sobre a última operação do menino:

Inquérito

Em Ibotirama, o delegado Hélder Fernandes Santana encaminhou à Justiça o inquérito policial sobre o caso. No documento, o padrasto da criança, o auxiliar de serviços gerais Roberto Carlos Magalhães, de 30 anos, e sua suposta amante, Angelina Ribeiro dos Santos, foram indiciados por tentativa de homicídio qualificado - pena prevista de 4 a 20 anos de reclusão. O processo deve ser conduzido pelo Ministério Público em Seabra, município a 200 quilômetros de Ibotirama. "Estamos sem promotor público na cidade", justifica Santana.

Magalhães e Angelina cumprem prisão preventiva autorizada pela Justiça. Angelina está na carceragem da Delegacia de Ibotirama e Magalhães em uma cidade da região - que a polícia não revela por causa das ameaças de linchamento que o acusado vem sofrendo da população de seu município.

O padrasto do menino confessou o crime e, em depoimento, incriminou Angelina. Inicialmente, ele também havia citado a participação da mãe-de-santo Maria dos Anjos Nascimento, conhecida na cidade como Bia, mas voltou atrás na acusação."Além disso, não encontramos provas que a incriminassem." Bia foi liberada da prisão temporária na sexta-feira.

De acordo com o delegado, não há dúvidas sobre a participação do padrasto no crime. No entanto, a polícia admite não ter conseguido reunir provas nem depoimentos que incriminassem Angelina. "O suspeito continua afirmando que ela teve participação, mas Angelina mantém o testemunho de que não tem nenhuma relação com o crime. Deixei a questão a critério da Justiça."

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