RIO DE JANEIRO ¿ O chefe da seção de pediatria do Hospital Copa D¿Or, Arnaldo Prata, informou, nesta segunda-feira, que o menino João Roberto de Amorim Soares, de 3 anos, baleado na cabeça na noite do domingo, durante uma perseguição policial na Tijuca, zona norte, tem ¿menos de 5% de chances de sobreviver¿. O garoto está internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade de saúde desde as 4h desta segunda. O estado de saúde dele é considerado extremamente grave.

Há uma chance, porém mínima, que ela sobreviva. Eu diria que essa chance é de menos de 5% e, se ele aproveitasse essa chance, entre um exame e o outro, ficaria com mais de 90% de possibilidade de ter alguma seqüela, informou o médico.

O exame será refeito em seis horas, conforme determina uma resolução do Conselho Federal de Medicina, para confirmar a morte cerebral. Prata informou que já entrou em contato com os familiares da criança para que eles se posicionem sobre a doação de órgãos.

De acordo com ele, já foi colocada para a família a possibilidade da doação de órgãos do menino. Conversamos com os familiares de forma preliminar, para eles cogitarem a possibilidade. Assim que refizermos o diagnóstico, aguardaremos a decisão da família, explicou.

Baleado na cabeça

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Tipo, da cor preta, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de 9 meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna, mas passa bem.

De acordo com testemunhas, ela chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. O automóvel foi periciado para recolher fragmentos dos projéteis e aferir se eles foram disparados pelos PMs ou pelos bandidos.

A Polícia Civil instaurou inquérito e pediu as imagens gravadas pelas câmeras de segurança de edifícios localizados na área onde a criança foi baleada. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia

Segundo testemunhas, o menino foi encaminhado pelos policiais da viatura ao Hospital do Andaraí, na zona norte, e depois transferido para o Copa DOr. A equipe médica da unidade realizou dois encefalogramas e uma ultrassonografia para apurar a gravidade do dano cerebral que a criança sofreu por causa do tiro. A 19ª DP (Tijuca) está investigando o caso.

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