Menino baleado em ação da Polícia Militar é enterrado no Rio de Janeiro

O corpo de João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, foi enterrado nesta terça-feira no Cemitério do Caju, na região portuária do Rio. Cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro do menino, morto por PMs no domingo (8) na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.

Redação com Agência Estado |

AE
João Roberto tinha três anos
João Roberto tinha três anos
Alguns parentes, como a avó materna, Cirene, passaram mal e desmaiaram. A mãe de João, a advogada Alessandra Amorim Soares, estava sob efeito de calmantes e não deu declarações. Após o sepultamento, o pai do menino, o taxista Paulo Roberto Soares, disse: "Você não merecia isso, foi uma covardia que fizeram com você."

Paulo Roberto Soares disse que lutará para que a morte de João "não seja mais uma". O menino foi morto por policiais militares que atiraram contra o carro em que ele estava com a mãe e o irmão caçula, Vinícius, de 9 meses, que nada sofreu. O pai de João, muito abalado, gritou na capela onde aconteceu o velório: "São uns assassinos!"

Desabafo do pai

Na segunda-feira (7), o pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital, onde o filho estava internado. Eu sou taxista e estava trabalhando no domingo para juntar um dinheirinho para o aniversário dele, que ia fazer quatro anos no dia 29.

Eu estava com uma passageira, passando pela rua General Espírito Santo Cardoso (onde João foi baleado) quando ela notou que havia várias viaturas no local, mas eu nunca ia imaginar que iam executar a minha família. Metralharam o carro com uma mulher e duas crianças dentro. Minha mulher ficou cheia de pedaços de estilhaços pelo corpo, afirmou.

Segundo o taxista, Alessandra, sua mulher, voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de nove meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.

"Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça ficou alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."

Baleado na cabeça

João foi baleado na cabeça durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro. Eles seguiam criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes em ruas da localidade.

Testemunhas informaram que os policiais perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos, mas acabaram atirando contra o veículo da mãe do garoto, um Palio Weekend cinza chumbo. Além de João, a advogada Alessandra Amorim estava com um bebê de nove meses, quando o carro foi atingido pelos disparos. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna.

De acordo com testemunhas, a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro, mas há informações de que foram disparados pelo menos 15 tiros contra o carro que ela dirigia. As armas dos policiais que estavam na perseguição foram apreendidas para perícia.

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