Meninas e jovens gays estão em risco de contaminação de aids

Para cada grupo de 10 meninas, existem 8 garotos contaminados com o HIV. Essa é a única faixa etária em que a balança da incidência da aids pende para o lado feminino. O motivo apontado por especialistas é o uso insuficiente de preservativo na relação sexual.

Erika Klingl, iG Brasília |

Pesquisas mostram que, nessa faixa etária especialmente quem determina o uso de preservativo são os meninos. As meninas simplesmente não vão para uma balada com preservativo, alerta Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde.

Além disso, uma pesquisa nossa mostrou que 30% das meninas não usaram camisinha na relação porque confiavam no parceiro. Nos meninos, essa relação é de só 7%. Isso reflete vulnerabilidade da jovem na hora de negociar o uso do preservativo, completa. A campanha de DST e aids do próximo carnaval será focada, mais uma vez, nas meninas.

Na outras faixas etárias, a razão de gênero continua diminuindo, comparando-se os dias atuais e o início da epidemia. Em 1986, a razão era de 15 homens para cada mulher. Hoje é de 15 homens para cada 10 mulheres. Em ambos os sexos, no entanto, as maiores taxas de incidência se encontram na faixa etária de 25 a 49 anos, com um crescimento significativo em homens a partir dos 40 anos e mulheres com mais de 30.

GAYS

Além das meninas, o alerta também pode ser dado aos jovens gays. De modo geral, existe uma estabilização na contaminação de homens para homens desde 2000 em 28%. No entanto, na faixa etária entre 13 e 24 anos o crescimento é assustador. Em 1997, esse tipo de contaminação representava 29% dos casos. Em 2007, saltou para 43,2%.

É uma questão complexa porque pode ter relação com homofobia nas escolas,  que não deixa o assunto ser tratado entre os pares. Além disso, os jovens gays de hoje não viram a epidemia da década de 80 quando muitos homossexuais perderam seus companheiros, cita Mariângela. A aids ainda mata 30 pessoas por dia no Brasil, completa.

Em contrapartida, o Brasil reduziu em 41,7% a incidência de contaminação em crianças com menos de 5 anos. E o coeficiente de mortalidade caiu 70%. A queda na taxa de transmissão de mãe para o filho é resultado dos cuidados no pré-natal e no pós-parto, avalia Mariângela.

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