Menina de nove anos que fez aborto já está em um abrigo público

RECIFE ¿ O Ministério Público de Pernambuco e a Secretaria Estadual da Mulher encaminharam a um abrigo público, na manhã desta sexta-feira, a menina de 9 anos que abortou gêmeos na última quarta-feira, no Centro de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife. A criança está com a mãe em local não divulgado, onde ficará até que possa se recuperar completamente.

Redação com Agência Nordeste |

A garota, natural de Alagoinha, no Agreste pernambucano, era abusada sexualmente desde os seis anos pelo padrasto, e estava no quinto mês de gestação. De acordo com médicos, sua gravidez era de alto risco.

A expulsão dos fetos ocorreu com a ajuda de remédios e uma intervenção cirúrgica. A jovem também passou por uma curetagem para a limpeza do útero.

O aborto foi criticado pelo arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, que excomungou da Igreja Católica a mãe e toda a equipe médica envolvida no procedimento.

Excomunhão

Nesta quarta-feira, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou os médicos envolvidos no aborto. A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor, disse o bispo.

De acordo com os médicos, a menina, que tem 1,33m e pesa 36kg, não apresentava estrutura física que sustentasse uma gravidez. Segundo eles, a paciente corria risco de morte caso a gestação continuasse. Além disso, a legislação brasileira permite o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestão.

A excomunhão do arcebispo se torna irrelevante para todas nós que ajudamos no caso. É irrelevante a posição do arcebispo. Essa é uma questão que não perpassa pela religião. Os médicos agiram conforme a lei. O Estado brasileiro tem que ser respeitado. A ação do Estado não pode ser regida pela ação religiosa, analisou Carla Batista, da ONG SOS Corpo.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta quinta-feira que a decisão da Igreja Católica de excomungar os envolvidos no aborto foi radical e inadequada. Para Temporão, o ato de excomungar os envolvidos no aborto é um contra-senso diante do que aconteceu à criança.

Fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com a menina e com a posição desse religioso que, equivocadamente, ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra tão importante.

O caso

A gravidez foi descoberta no último dia 25 de fevereiro, quando a menina de nove anos se queixou de tonturas e foi levada pela mãe à Casa de Saúde São José. Exames constataram que a criança já estava na 16ª semana de gestação e que a gravidez era de alto risco por conta da idade.

A criança informou à polícia que os abusos começaram quando ela tinha seis anos de idade, e que o padrasto, de 23 anos, a ameaçava de morte caso contasse sobre os abusos a alguém. Ele foi preso quando se preparava para fugir para a Bahia. Em seu depoimento, o padrasto confessou que também abusava da enteada mais velha, de 14 anos, portadora de deficiência física.

O Ministério Público, a Secretaria Estadual de Políticas para a Mulher e as ONGs Curumim e SOS Corpo acompanham o caso e irão oferecer recursos e tratamento psicológico para as vítimas.

(Com informações da Agência Brasil)

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