BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, enviou nesta quarta-feira uma representação à Procuradoria Geral da República em que solicita a apuração de uma eventual ligação entre um ex-funcionário do STF e o grupo do banqueiro Daniel Dantas, condenado na terça-feira a dez anos de prisão pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Em sua sentença, De Sanctis citou uma série de telefonemas de Hugo Chicaroni, intermediário de uma oferta de propina de Dantas para um delegado da Polícia Federal, para Sérgio de Souza Cirillo, coronel da reserva do Exército, que ocupou cargo comissionado na secretaria de segurança do STF, entre os dias 30 de julho e 6 de outubro deste ano, quando foi exonerado.

Os contatos telefônicos ocorreram entre os dias 4 de junho e 7 de julho deste ano, véspera da deflagração da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Tal fato revela, pois, que os acusados, para alcançar seus objetivos espúrios, dias antes de oferecer e pagar vantagem às autoridades policiais atuavam, sem medir esforços, em suas tentativas de obstrução de procedimento criminal, tentando espraiar suas ações em outras instituições, diz, em sua sentença, o juiz De Sanctis.

Segundo a assessoria do STF, Cirillo foi desligado dos quadros do tribunal por questões administrativas, sem ligação com qualquer desdobramento da operação da PF.

Cronologia da Operação Satiagraha

8 de julho - Autorizada pelo juiz Fausto De Sanctis, a Operação Satiagraha, comandada pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, prende 17 pessoas, entre elas o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.

9 de julho - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, decide conceder habeas-corpus a Daniel Dantas, sua irmã Verônica Dantas e mais nove pessoas presas na operação.

10 de julho - Daniel Dantas é solto pela manhã. À tarde, um novo pedido de prisão preventiva do banqueiro é aceito e Dantas é levado novamente à carceragem da sede da Polícia Federal em São Paulo.

11 de julho - O ministro Gilmar Mendes concede o segundo habeas-corpus e revoga a prisão preventiva do banqueiro, que é libertado novamente.

14 de julho - Após reportagem do jornal Folha de S.Paulo que noticiava a possibilidade de Mendes ter sido monitorado pela Polícia Federal a pedido da Justiça, Protógenes se reúne em São Paulo com seus chefes. No encontro, segundo a revista Veja, o delegado revelou que a PF tinha um trabalho de inteligência que apontou que o habeas-corpus seria concedido por Mendes.

Agência Brasil
O delegado Protógenes Queiroz, à frente
O delegado Protógenes Queiroz, à direita
15 de julho ¿ Protógenes deixa o caso.

30 de agosto ¿ A Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, abre investigação para averiguar se houve participação ilegal de agentes da Abin no suposto grampo ao ministro Gilmar Mendes na operação comandada por Protógenes.

1º de setembro ¿ A divulgação de grampo em Gilmar Mendes provoca o afastamento do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, ex-dirigente da Polícia Federal.

11 de setembro ¿ Na CPI dos grampos, um diretor da Abin diz que 52 agentes atuaram na Operação Satiagraha.

17 de setembro ¿ O diretor afastado da Abin Paulo Lacerda admite que 56 agentes da Abin agiram na Operação Satiagraha.

5 de novembro ¿ A Polícia Federal investiga supostos vazamentos à imprensa e cumpre mandados de busca e apreensão na casa de Protógenes.

12 de novembro ¿ A CPI dos Grampos aprova as convocações do

AE
O juiz federal Fausto Martin De Sanctis
O juiz federal Fausto De Sanctis
delegado Amaro Vieira Ferreira e do procurador da República Roberto Dassié para deporem sobre o vazamento de informações.

17 de novembro ¿ A Justiça Federal proíbe a Abin de acompanhar os trabalhos da Polícia Federal. O juiz Fausto Martin De Sanctis afirma que as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça não alcançaram o STF. No mesmo dia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, solicitaram por meio da Advocacia Geral da União (AGU) que a Abin acompanhe a investigação.

19 de novembro - Dantas é ouvido como réu pelo juiz De Sanctis. A defesa de Dantas tenta adiar o fim do processo. Quer ter acesso a novos documentos da investigação e que Paulo Lacerda e o delegado Protógenes Queiroz fossem ouvidos como testemunhas.

27 de novembro - O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que Protógenes foi afastado da Operação Satiagraha por ser partidário. O PSOL fez diversos atos de desagravo ao policial pelo País.

1º de dezembro - O delegado Protógenes diz que a PF pediu nova prisão de Dantas.

2 de dezembro - Justiça nega acesso de Dantas a inquérito. Fausto De Sanctis decreta prisão do banqueiro.

(* Com informações do Valor Online e Estado de S. Paulo )

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