O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem um sonho: juntar seu partido com o PSB, PDT, PCdoB e outras forças em São Paulo, tendo como candidato a governador do Estado o deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP). Como parte deste roteiro, o paulista de nascimento Ciro Gomes transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo. O movimento, da forma como foi concebido, serviria para unificar os partidos de oposição ao PSDB, colocar pressão nos tucanos em sua principal vitrine eleitoral e tirar do páreo da campanha presidencial o deputado federal, deixando a disputa praticamente restrita ao governador José Serra (provável indicado pelo PSDB), à ministra Dilma Rousseff (PT) e à senadora Marina Silva (PV).

Declarações de Ciro contra o PT de São Paulo e a demora na definição da composição das chapas, contudo, ameaçam concretamente implodir a união dos partidos em torno de um candidato único, dividindo os partidos de oposição em São Paulo.

O deputado federal Paulo Pereira da Silva, Paulinho, presidente do PDT-SP e da Força Sindical, diz que seu partido ainda está na fase de conversas e conhecimento das propostas dos pré-candidatos. Por enquanto ainda não definimos apoio ao candidato A ou B. O que posso dizer é que a indefinição do Ciro Gomes está causando problemas ao PDT, principalmente no interior do Estado, onde as alianças estão esperando a decisão de Ciro, afirma o deputado.

O PSB, o PCdoB, o PT são partidos bem estruturados, todos têm uma bancada federal, prefeitos, lideranças regionais, todos querendo entrar em campo. De um lado, acho que o jogo ainda está um pouco empatado, porque o PSDB ainda não definiu quem será o candidato a governador, não se sabe qual será a chapa. Mas creio que o tempo está se esgotando. Em abril, a campanha já tem que estar na rua, não podemos ficar esperando, declara a presidente do PCdoB-SP, Nádia Campeão.

AE

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE),
que criticou o PT de São Paulo 

A realização de uma chapa incluindo os quatro partidos requer grande dose de habilidade, para ocupar as vagas disponíveis: o cargo de governador, o posto de vice e duas candidaturas ao Senado.
O PDT, que se diz amarrado a indefinição de Ciro Gomes, tem por objetivo aumentar a bancada de deputados, além de assegurar a reeleição de Paulinho _hoje o partido em São Paulo é representado por uma bancada de três deputados federais e por cinco estaduais na Assembleia Legislativa. Já o PCdoB reivindica uma vaga para o Senado Federal. O nome de seu pré-candidato é o hoje vereador e apresentador de programa de televisão Netinho de Paula. Ninguém é contra a formação de uma chapa unindo todos esses partidos, mas enquanto não for definida a candidatura a governador, a cabeça, tudo fica parado, indefinido, diz Nádia Campeã.

Para ela, se Ciro não for candidato, não é impossível, mas tende a ser improvável a manutenção da parceria do PT com o PSB e outras siglas. Se o PT ficar com a cabeça da chapa, com o Aloizio Mercadante como candidato, eles também poderiam apresentar a candidatura da Marta (Suplicy) para o Senado. Daí seriam duas de quatro vagas ocupadas. Os outros partidos podem querer pleitear este espaço, afirma a presidente do PCdoB.

Paulinho rechaça a possibilidade de lançamento de candidatura própria do PDT: Estaremos unidos em torno de uma candidatura. A condição para o apoio, segundo ele, seria a discussão de temas referentes aos direitos dos trabalhadores. Há todos os dias tentativas de se retirar direitos dos trabalhadores. Vamos também falar da consolidação dos avanços sociais conquistados ultimamente. Conseguimos aumento para o salário mínimo, reajuste para os aposentados, redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), aumento das parcelas do seguro-desemprego e estamos numa luta intensa pela redução da jornada para 40 horas semanais, declara Paulinho.

A redução da jornada, de 44 para 40 horas por semana, não tem boa receptividade entre os empresários, representados em entidade de classe, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), cujo presidente, Paulo Skaf, pleiteia ser o candidato do PSB ao governo de São Paulo, em caso de Ciro Gomes não sair mesmo candidato.
Na propaganda de televisão do PSB, Skaf é referendado por Ciro Gomes com uma frase: guardem este nome. Ciro, nesta semana, em entrevista, teceu críticas ao diretório estadual do PT e afastou a possibilidade de ser candidato a governador.

O presidente do PT estadual, Edinho Silva, cobrou uma retratação pública do deputado, caso contrário as negociações entre os partidos estariam interrompidas. Tenho que ter a maturidade necessária para manter o nosso campo político unificado, fruto de muito trabalho e entendimento, diz Edinho.

O rompimento do diálogo pode levar PT e PSB a manterem candidaturas próprias, ao menos no primeiro turno, ao governo de São Paulo. Mercadante seria o nome preferido do PT, Skaf deve herdar a vaga do PSB. PDT e PCdoB se posicionaram em torno destas duas candidaturas. Se a não candidatura de Ciro se configurar, precisamos de uma nova rodada de conversas para reposicionar a base, afirma Nádia Campeão.

PDT, PSB e PCdoB instituíram o chamado "bloquinho" como forma de juntar forças, aumentar seu poder de negociação e aumentar sua área de influência em eleições majoritárias. Em tese, procurariam seguir juntos nas disputas.

Em São Paulo, o PSDB deve lançar o nome de Geraldo Alckmin, ex-governador, para a disputa estadual. Ele negocia alianças com DEM, PMDB, PTB, PPS e PSC.

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