BRASÍLIA - Os membros do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deram uma bronca pública, nesta quarta-feira, no presidente do órgão, o deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS). A repreensão, na qual chamaram Moraes até de desastre, para o conselho foi uma repercussão das declarações dadas pelo petebista de que era desconfortável para os deputados julgar o caso Paulinho - acusado de participar de um esquema de desvio de empréstimos liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O mau estar ocorreu minutos antes no depoimento do delegado da Polícia Federal Rodrigo Levin, no Conselho de Ética, com o objetivo de informar os integrantes do órgão sobre as investigações da Oepração Santa Teresa, que flagrou o nome do deputado Paulinho Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical.

Antes do depoimento, o deputado federeal José Carlos Atraújo (PR-BA) disse que não concordava com as declarações de Moraes sobre o "desconforto" em julgar Paulinho. "Vossa Excelência cometeu um erro. Todas as profissões tem um Conselho de Ética. Na parte ética nós é que temos que julgar nosso colega. Como as declarações [de Moares] foram feitas, há um desconforto para nós [membros do conselho de ética]" reclamou araújo, que ainda rebateu os argumentos de Moraes de que o processo de Paulinho deveria ser apreciado no STF antes de chegar ao Conselho de Ética.

Visivelmente irritado, o deputado cortou a palavra de Araújo e passou a vez para o deputado Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS), que foi ainda mais duro. "Cada vez que você fala é um destastre para nós. Quero pedir para o senhor evitar a imprensa", criticou Dagoberto. Ele argumentou que o STF deve julgar os aspectos legais da conduta de Paulinho e o Conselho de Ética deve analisar os aspectos éticos, independentemente.

"A questão aqui não é de direito, é de ética. O senhor tem que ter cuidado ao falar em nome do Conselho de Ética porque está falando em nosso nome", alertou Dagoberto.

O presidente do conselho interrompeu a fala de Dagoberto esbravejando que "o que o senhor quer é buscar a mídia", depois dirigiu a palavra ironicamente aos jornalistas. "Foquem ele, ele quer os holofotes".

Em seguida começou o depoimento do delegado Levin em sessão reservada.

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