O ator Mel Gibson, que após oito anos de ausência volta às telas no papel de um pai vingador no filme O fim da escuridão, tem uma insólita paixão pouco compartilhada em Hollywood: reviver as línguas mortas, como a maia, o aramaico, e agora, o nórdico.

Gibson, que após confusões com a lei há quatro anos voltou a dar o que falar ao ser grosseiro com um repórter televisivo, se mostrou muito tranquilo em uma recente coletiva de imprensa em Paris, onde divulgou "O fim da escuridão", em que encarna Thomas Craven, um detetive de Boston.

No filme, dirigido por Martin Campbell, a filha de Craven, de 24 anos, é assassinada, e ao investigar o homicídio, o detetive descobre um mundo onde as corporações - e o poder - não se detêm frente a nada para defender seus interesses.

O ator e diretor de 54 anos se referiu também ao seu próximo projeto, um filme sobre os vikings, e disse que será filmado em língua nórdica antiga.

Ao ser perguntado pela AFP a respeito de sua paixão pelas línguas mortas, Gibson - que se atreveu a filmar em maia yucateco o filme "Apocalypto" (2006), um drama de ação ambientado em terras maias - disse que "escutar os personagens falando em sua própria língua tem uma certa magia".

"Adoro fazer isso, adoro eliminar a compreensão com a utilização de uma linguagem ininteligível, o que obriga o espectador a se focar na imagem. A arte visual se torna muito mais poderosa", afirmou, explicando que não gosta de ver um filme estrangeiro dublado em inglês.

"Sempre quero ver os filmes na língua original em que foram filmados", explicou o cineasta, que causou controvérsia com "A Paixão de Cristo", filmado em aramaico, latim e hebraico, e que gerará ainda mais polémica em Holywood com outro filme em uma língua que ninguém entende.

Gibson contou que desde criança era fascinado pelos vikings, e que sonha há anos em fazer um filme sobre esses navegantes. E a única maneira de tornar esse projeto possível é escutar os vikings falando em sua língua nórdica antiga, falou.

"Os vikings eram monstros do mar. E quero que falem sua língua original", enfatizou, reforçando que utilizar a língua morta obrigará todos a prestarem atenção nas imagens.

"Ter uma língua que é ininteligível para a maior parte das pessoas obriga o cineasta a dar todo o poder à imagem", insistiu, acrescentando que além disso, "ouvir uma língua incompreensível deixa a história muito mais real".

"É difícil de explicar mas, por exemplo, se escutamos os vikings falando nosso próprio idioma, não acontece nada, mas se falam em sua língua própria, gutural, provocam muito medo. E isso é o que eu quero", disse.

Interrogado pela AFP sobre os protestos no México pela produção de seu filme, "How I Spent My Summer Vacation" ("Como Passei Minhas Férias de Verão", em tradução livre), que causou a mudança de presos de Allende, no Porto de Veracruz, para outras penitenciárias do estado, Gibson disse que a polêmica serviu somente para vender mais jornais.

"Isso foi somente uma boa história para os jornalistas", afirmou o cineasta, explicando que a transferência dos presos ia ocorrer de qualquer jeito, já que não foi uma exigência sua para rodar o filme, que começará a ser filmado em março em Veracruz.

ame/ma.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.