Meirelles não confirma filiação, mas adota tom político

GOIÂNIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira que ainda não definiu se irá filiar-se a algum partido e concorrer a algum cargo eletivo no ano que vem. Adotou, no entanto, um tom político ao conceder entrevista coletiva em Goiás, seu Estado natal. Líderes do PMDB afirmaram que Meirelles teria confirmado sua filiação ao partido, o que a assessoria de imprensa da instituição tem negado.

Reuters |

"Não estou no momento tratando de candidaturas. No momento, estou totalmente focado no Banco Central," afirmou a jornalistas antes de participar de um debate sobre economia promovido pela Universidade Federal de Goiás.

Meirelles reafirmou, entretanto, que estuda filiar-se a algum partido para poder concorrer a um cargo em 2010. Se quiser disputar as eleições do ano que vem, a legislação brasileira determina que ele terá de aderir a algum partido até o início de outubro, um ano antes do pleito. A expectativa do governo é que ele fique à frente do BC.

"Estou apenas tratando da hipótese de me filiar para ter ou não ter a alternativa", comentou.

Na quinta-feira, Meirelles reuniu-se com o presidente licenciado do PMBD e presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), e praticamente selou o acordo, o qual foi anunciado nesta sexta-feira à cúpula do partido em Goiás.

O presidente do Banco Central passará o fim de semana em Goiânia conversando com líderes políticos locais.

"Independentemente de eu me filiar a algum partido ou não estaremos colaborando para o bem do Estado de Goiás e para o bem do Brasil... isso é que é importante", afirmou.

"Tenho sempre tido Goiás no coração, acho um Estado que tem um potencial extraordinário."

Meirelles é cotado para disputar o governo de Goiás, uma cadeira no Senado ou até concorrer à Vice-Presidência na chapa liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

CONVERSA COM LULA

O presidente do Banco Central afirmou que, antes de anunciar sua decisão oficialmente, conversará com líderes locais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a família. Ele lembrou que na semana que vem viajará com o presidente a Copenhague.

A expectativa do PMDB é que ele já se encontre com Lula na segunda-feira e assine a ficha de filiação do partido nos dias seguintes.

"O presidente da República me pediu para, em primeiro lugar, que não pense em sair do Banco Central antes de março. Segundo, ele prefere que eu fique até dezembro de 2010", contou.

Perguntado se a demora em anunciar uma pré-candidatura não comprometeria seu destino político, Meirelles negou.

"Não sou um político tradicional. A minha carreira não é uma carreira de político, a minha carreira é uma carreira de administrador", afirmou.

"A decisão tem que ser tomada na hora certa."

Durante o seminário, Meirelles afirmou que seu pai já falecido gostaria de ter presenciado as melhorias da economia brasileira. Depois, bem humorado, tirou fotos com estudantes, professores e foi convidado para ser o paraninfo de uma turma da Faculdade de Economia da universidade.

(Reportagem de Fernando Exman)

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