BRASÍLIA - Aos ataques do pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra, a direção do Banco Central (BC) respondeu há pouco, oficialmente, que a autoridade monetária "não entra em debate eleitoral". A posição foi passada pela assessoria do presidente do BC, Henrique Meirelles, que até amanhã estará na Basileia, Suíça, participando de reuniões do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais.

BRASÍLIA - Aos ataques do pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra, a direção do Banco Central (BC) respondeu há pouco, oficialmente, que a autoridade monetária "não entra em debate eleitoral". A posição foi passada pela assessoria do presidente do BC, Henrique Meirelles, que até amanhã estará na Basileia, Suíça, participando de reuniões do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais. Em entrevista à rádio CBN pela manhã, Serra disse, entre outras coisas, que a cúpula do BC "não está acima do bem e do mal", que errou ao deixar de baixar juros no crise de 2008 e que, se eleito, ele pode interferir na política de juros. Serra afirmou ser, terminantemente, contra conceder mandatos aos diretores do BC: "Não, não, não". Isso implicaria em refazer o modelo atual de atuação da autoridade monetária brasileira, com adaptações ao modelo americano, continuou. "O que tem que dar é tranquilidade para o pessoal do Banco Central operar. Não ficar interferindo a todo momento. Agora, se houver erros calamitosos, o que é perfeitamente possível de diagnosticar, acho que o presidente tem que fazer sentir a sua posição, como aliás o atual governo faz, e como presidente Fernando Henrique fazia, também, sem que isso causasse qualquer estresse ou ataques de nervosismo", disse Serra. Em duro embate com a jornalista Miriam Leitão, o presidenciável do PSDB disse que o BC "não é a Santa Sé". Afirmou ter sido "simplesmente um erro", o fato do Brasil ter sido o "ultimo país do mundo a baixar os juros" durante a crise mundial, "quando havia deflação". "Estou preocupado, agora, é que entra governo, sai governo, o Brasil continua a maior taxa de juros do mundo", prosseguiu. "Agora, de repente, monta-se um grupo que se acha acima do bem e do mal, que é dono da verdade", afirmou o tucano. "Você vê o Banco Central errando - fala, não, eu não posso falar porque são sacerdotes, eles tem algum talento, alguma coisa divina, mesmo sem serem eleitos, eles têm alguma coisa secreta, que você não pode falar. Tenha santa paciência", disse Serra, em outro trecho da entrevista. (Azelma Rodrigues| Valor)

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