Por Natuza Nery e Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - Ao manter o suspense sobre seu futuro por mais 24 horas, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não apenas surpreendeu o governo como deixou a impressão entre alguns membros da cúpula do Executivo de que pode permanecer à frente da instituição.

"Acho que a permanência dele no Banco Central pode estar mais próxima do que se supunha", disse um importante interlocutor de Lula, sob a condição de anonimato.

A quatro dias do prazo limite para os titulares de cargos no Executivo deixarem suas funções se quiserem disputar as eleições de outubro, Meirelles se reuniu com Lula para ter o que se esperava ser uma conversa decisiva.

Após o encontro, no entanto, ele disse a jornalistas que solicitou mais tempo para responder ao pedido de Lula para que fique no BC até o fim do governo.

"Eu pedi a ele (Lula) 24 horas para pensar sobre este pedido dele e, portanto, amanhã eu vou dar uma resposta final ao presidente se de fato eu fico no Banco Central, conforme o pedido dele, até o final do mandato, ou se eu de fato iria sair para contemplar uma via eleitoral", afirmou.

Desde que anunciou sua filiação ao PMDB em setembro do ano passado, o presidente do BC criou expectativa sobre sua participação nas eleições deste ano.

A reunião entre Lula e Meirelles durou cerca de uma hora e só os dois participaram da conversa, segundo duas fontes do governo. Eles avaliaram cenários da disputa eleitoral.

Inicialmente cotado para disputar o governo de Goiás, essa possibilidade acabou descartada com a candidatura do prefeito de Goiânia e companheiro de partido, Iris Rezende --confirmada nesta terça-feira.

As outras opções para Meirelles seriam disputar uma cadeira no Senado por Goiás ou tentar se viabilizar para ser o vice na chapa liderada pela ministra Dilma Rousseff (PT) na disputa à Presidência. Essa hipótese, no entanto, esbarra no fato de o PMDB ter no seu presidente, e presidente da Câmara, deputado Michel Temer, o nome para essa função.

ÊNFASE NO PEDIDO DE LULA

Meirelles fez questão de repetir várias vezes, na breve conversa com jornalistas, o pedido de Lula para ficar no BC.

"Ele (Lula) me fez um pedido para que eu fique no Banco Central até o final deste governo para completar o trabalho de estabilização da economia brasileira e também para assegurar que entregaremos ao próximo governo um Estado crescendo, com inflação na meta e todas as condições para que o Brasil possa manter este ritmo de crescimento nos próximos anos", disse.

"A opinião dele (Lula) é que, se depender dele, eu fico no Banco Central", acrescentou.

A insistência nesse ponto foi vista por integrantes do governo como um sinal de que, depois de tanta expectativa criada sobre sua saída do BC, Meirelles pode estar para anunciar a permanência no cargo.

"Meirelles estava esperando que o Lula decidisse por ele, e isso o presidente não vai fazer. O que Lula podia, já fez, que foi pedir para ele ficar", disse uma fonte do governo.

Líderes do PMDB de Goiás --onde Iris Rezende gostaria de ter Meirelles em sua chapa disputando o Senado-- começam também a questionar a disposição eleitoral do presidente do BC.

"Hoje a festa do PMDB (em Goiânia) tinha 4 mil convidados. Você não acha que ele tinha que estar lá se fosse candidato ao Senado?", ponderou um peemedebista do Estado, pedindo para não ser identificado.

O encontro de Meirelles com Lula ocorreu em meio a uma verdadeira romaria de ministros se reunindo com o presidente para definir a permanência ou não no governo.

(Texto de Alexandre Caverni)

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