Meirelles diz que há alternativas para a poupança

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira que o governo tem alternativas para a proposta de mudança na tributação da poupança, caso o Congresso Nacional não aprove projeto anunciado pela área econômica esta semana. Meirelles destacou, contudo, que a proposta a ser encaminhada ao Congresso é a ideal e transferiu indiretamente para os parlamentares a responsabilidade sobre a continuidade da trajetória de queda da taxa básica da economia (Selic).

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"Acredito que isso não vai acontecer (a rejeição da proposta no Congresso)", disse Meirelles a jornalistas, após participar de seminário sobre regime de metas de inflação. "Essa foi a melhor proposta possível no momento".

Apesar de apostar em uma tramitação positiva da proposta, Meirelles afirmou, sem dar detalhes, que "existem outras possibilidades", caso isso não aconteça.

O governo anunciou na quarta-feira a intenção de tributar cadernetas de poupança com saldos superiores a 50 mil reais a partir do próximo ano.

O objetivo é evitar que a aplicação ganhe vantagem sobre os demais investimentos financeiros em meio à que da dos juros, uma vez que a poupança tem um rendimento mínimo de 0,5 por cento ao mês garantido em lei. A medida depende de aprovação do Congresso.

Meirelles frisou a importância da remoção de "entraves institucionais" a queda dos juros.

"Limites à queda na taxa de juros certamente têm consequências importantes para a possibilidade de crescimento do produto e do emprego no Brasil", disse.

METAS DE INFLAÇÃO

Meirelles não descartou o possível aperfeiçoamento do regime de metas de inflação no Brasil. Segundo ele, após a crise financeira global, os bancos centrais de todo o mundo iniciaram "uma grande discussão" sobre o tema.

Um dos pontos dessa discussão, segundo Meirelles, diz respeito à inclusão de novas variáveis no monitoramento da política monetária, como preços de ativos financeiros, ações, preços de imóveis e expansão do crédito.

Outro item é o foco maior sobre os núcleos de inflação, considerados menos voláteis, e não apenas nas metas cheias.

"Esse é o início de um processo de discussão. Nós participamos da discussão ... quando chegar a alguma conclusão, certamente, o Brasil fará parte disso", acrescentou.

Ele argumentou, no entanto, que o regime implementado no Brasil foi importante para a estabilização da economia, crescimento do Produto Interno Bruto e redução da dívida pública.

POPULAR

Perguntado sobre uma possível candidatura a cargo público em 2010, Meirelles afirmou que tem sido cumprimentado nas ruas pela condução da política monetária do BC.

"O brasileiro comum que anda nas ruas, no calçadão, vai ao cinema e a restaurantes e farmácias de várias cidades do Brasil... o número de pessoas que me aborda para elogiar é impressionante", disse.

"Os trabalhadores preservam a inflação baixa e a preservação do poder de compra", acrescentou.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, texto de Aluísio Alves)

aluisio.pereira.reuters.com@thomsonreuters.net))

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