BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira que ainda não tomou decisão sobre seu futuro, o que será feito no máximo até quinta-feira. Minha decisão sai amanhã no máximo, não tem dúvida, disse ao ser questionado por jornalistas após solenidade no BC.

"Não há nenhuma decisão tomada; continuamos conversando porque é uma decisão de muita responsabilidade... Não é meramente uma decisão de carreira. É uma decisão que envolve essa instituição", acrescentou, afirmando que interrompeu as conversas sobre seu futuro para participar da comemoração dos 45 anos do BC.

Meirelles disse ainda que, "tão logo" tenha uma decisão, irá comunicá-la.

"Vamos aguardar, não cabe antecipação. Eu avisarei se teremos condições de ter uma decisão hoje ou se será só amanhã", afirmou.

"Estamos trabalhando; o mais cedo possível daremos uma posição. Estamos conversando com membros do governo."

Na véspera, Meirelles conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu 24 horas para dar a resposta sobre deixar ou não o BC para poder concorrer às eleições de outubro.

Nesta quarta-feira, Meirelles esteve no CCBB, sede provisória do governo federal, mas não encontrou Lula, segundo fontes. Ao longo do dia, ele conversou com aliados do PMDB de Goiás e comunicou que ainda estava indeciso.

A possibilidade inicial de disputar o governo de Goiás acabou descartada com a candidatura do prefeito de Goiânia e companheiro de partido, Iris Rezende.

As outras opções para Meirelles seriam disputar uma cadeira no Senado por Goiás ou tentar se viabilizar para ser o vice na chapa liderada pela ministra Dilma Rousseff (PT) na disputa à Presidência. Essa hipótese, no entanto, esbarra no fato de o PMDB ter no seu presidente e presidente da Câmara, deputado Michel Temer, o nome para essa vaga.

Durante evento em comemoração aos 45 anos do BC, Meirelles discursou sobre o trabalho da instituição no combate à crise, repetindo que o Brasil saiu da turbulência global de forma mais rápida que outros países.

Ele também citou a importância de se perenizar a institucionalização do Banco Central.

Pela manhã, o BC anunciou a saída de Mario Mesquita da diretoria de Política Econômica --algo que já era esperado pelos mercados .

(Reportagem de Isabel Versiani e Ana Nicolaci da Costa, com reportagem adicional de Natuza Nery e Fernando Exman; Texto de Daniela Machado; Edição de Aluísio Alves)

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