BRASÍLIA (Reuters) - Depois de ser cotado para ser candidato a governador de Goiás, ao Senado e a vice-presidente na chapa da petista Dilma Rousseff, Henrique Meirelles anunciou nesta quinta-feira que permanecerá na presidência do Banco Central. Meirelles justificou sua decisão, após dias de suspense, com a preocupação de manter a estabilidade econômica e disse que atendeu a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Estou aqui para comunicar a decisão de permanecer à frente do Banco Central... visando garantir a continuidade da estabilidade da economia brasileira em um ano cheio de dasafios", disse a jornalistas. "Resolvi atender um pedido do presidente Lula."

Nas últimas semanas, todas as apostas giravam em torno de sua saída do banco, a ponto de se formar um consenso de que seu sucessor seria o diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC, Alexandre Tombini.

Mas com o colega de PMDB Iris Rezende se lançando ao governo goiano, as opções de Meirelles ficaram reduzidas à disputa por uma cadeira no Senado ou a tentar ser vice de Dilma. Esta última hipótese, no entanto, era praticamente impossível, já que o nome do PMDB para isso é o do presidente do partido e da Câmara, Michel Temer.

Ao anunciar finalmente sua decisão, Meirelles fez questão de ressaltar que não foi tomada facilmente e procurou tirar dela o cálculo político-eleitoral, dizendo que teve amplo apoio dentro do PMDB para disputar as eleições.

"É normal que as pessoas especulem e tentem achar explicações. A explicação é essa que eu disse: a melhor maneira que eu encontrei de colaborar para que a estabilidade econômica fosse assegurada no Brasil é como presidente do Banco Central."

As expectativas sobre o futuro de Meirelles cresceram muito com o suspense dos últimos dias. Na terça-feira, ele encontrou o presidente Lula no que se esperava ser uma conversa definitiva, mas acabou pedindo 24 horas para responder se deixaria ou não o cargo.

Passado o prazo, porém, o presidente do BC ainda não tinha se decidido, prometendo aos jornalistas, após evento público na sede do BC, que isso não passaria desta quinta-feira.

(Reportagem de Isabel Versiani e Ana Nicolaci da Costa)

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