Por Isabel Versiani GOIÂNIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um evento em Goiânia para deixar claro o desejo de que o presidente do Banco Central permaneça no cargo até o final de seu mandato. Henrique Meirelles já abriu mão de disputar o governo de Goiás e, segundo o ministro Paulo Bernardo, também desistiu de uma vaga ao Senado.

A Meirelles restaria a possibilidade, hoje improvável, de ser candidato a vice, como nome do PMDB, na chapa encabeçada pela ministra Dilma Rousseff (PT).

"Da última vez que eu vim aqui, eu citei o nome do Meirelles e deu um bafafá danado", disse Lula em evento com o presidente do BC em Goiânia, referindo-se a uma viagem anterior, que chegou a ser vista como o lançamento do nome de Meirelles ao governo estadual.

"Desta vez, eu já não vou citar mais. Desta vez, eu disse 'Meirelles fica no governo até o final, cumpra o seu mandato comigo até o final'", acrescentou Lula. "Se você vai ser candidato ou não, esta decisão é do PMDB. Se você vai ser o vice, eu não vou dar palpite."

Desde que anunciou sua filiação no ano passado, se especula se Meirelles permanecerá no cargo até o final do governo ou se irá disputar as eleições e, neste caso, para quê.

OPÇÕES

As opções eleitorais que se apresentavam a Meirelles eram basicamente três. A primeira seria a candidatura ao governo de Goiás, mas ela esbarrava na pretensão do atual prefeito de Goiânia e ex-governador, Iris Rezende.

Na quarta-feira, em Brasília, Iris disse que abriria espaço para Meirelles ser o candidato, mas cobrou pressa na definição, argumentando que a demora poderia levar o partido a perder terreno na disputa estadual.

Um dia depois dessas declarações, o presidente do BC divulgou nota abrindo mão de ser candidato, reafirmando que seu futuro profissional será anunciado apenas no final de março --para disputar as eleições de outubro, os ocupantes de cargos executivos precisam deixar seus postos até o início de abril.

Uma alternativa seria disputar umas das duas vagas ao Senado que estarão em jogo no Estado, mas segundo o ministro do Planejamento, isso já foi descartado. "Ele não vai ser candidato a governador e já me disse que não será candidato ao Senado", disse Paulo Bernardo a jornalistas após evento com prefeitos no Rio de Janeiro, nesta manhã.

Quando repórteres insistiram se Meirelles não disputaria mesmo o Senado, o ministro disse: "acho que não, foi o que ele disse".

A última opção seria tentar emplacar como candidato a vice, na chapa de Dilma. Lideranças do PMDB ouvidas pela Reuters na convenção do partido no último sábado, no entanto, consideram isso improvável. Para elas, o lugar já tem dono, o presidente da legenda e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP).

Sobre uma cadeira à Câmara dos Deputados, Meirelles sequer teria pensado nisso, depois de ter sido o candidato a deputado mais votado na história do Estado em 2002. Eleito pelo PSDB, abriu mão do mandato para aceitar o convite de Lula para assumir o comando do BC.

Mas, apesar das declarações de Paulo Bernardo e Lula, e das aparentes dificuldades para ser candidato a vice numa chapa PT-PMDB, o fato de Meirelles ter reafirmado na nota que só anunciará seu "futuro profissional" no final de março mostra que ele ainda não fechou as portas às eleições deste ano.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.