Meirelles confirma ida ao PMDB; mercado fica atento

* PMDB acha mais provável que Meirelles concorra ao Senado * Vice de Dilma esbarra em pretensão de Temer

Reuters |

* Governo espera que ele fique à frente da instituição

* Mercado passa a ficar mais atento aos movimentos do BC

Por Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - Após dias de crescente expectativa, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, confirmou nesta terça-feira sua decisão de se filiar ao PMDB.

"O presidente Henrique Meirelles decidiu hoje, após reunião com o presidente Lula, filiar-se ao PMDB", disse a assessoria do BC.

Ainda segundo o BC, Meirelles assina sua ficha de filiação em Goiânia, na manhã de quarta-feira. A informação foi antecipada pela Reuters na semana passada.

Presidente em exercício do PMDB, a deputada Íris de Araújo (GO) comemorou o desfecho da reunião de Meirelles com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela ponderou, entretanto, que a decisão sobre uma eventual candidatura do presidente do BC só deverá ocorrer no ano que vem. "Essa deve ser uma conversa para depois", destacou ela à Reuters após o anúncio.

Apesar da declaração da assessoria do BC, o encontro entre o presidente Lula e Meirelles foi muito mais um ritual no qual o tema central da conversa, a filiação ao PMDB, já estava combinado anteriormente, em encontros prévios entre os dois.

"Estava tudo acertado, foi um rito o encontro (com Lula)", disse à Reuters uma fonte do governo.

O raciocínio é que uma decisão deste porte precisa ser gestada aos poucos. Mesmo a escolha do partido foi objeto de debate. A escolha recaiu sobre o PMDB por ser o partido mais forte da coalizão de governo e que pode oferecer mais chances de sucesso de uma candidatura a Meirelles no futuro.

O presidente do BC havia sido procurado por outros partidos, principalmente o PP, que queria lançá-lo na disputa pelo governo de Goiás.

Para seguir esse caminho no PMDB, no entanto, Meirelles terá de demonstrar maiores chances de vencer do que o prefeito de Goiânia, Iris Rezende. Por isso, líderes do PMDB goiano consideram mais provável a possibilidade de ele concorrer a uma vaga no Senado.

Comentam também que essa escolha poderia abrir caminho para Meirelles participar de um eventual governo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a pré-candidata do PT à Presidência da República.

Outro cenário seria Meirelles se candidatar à Vice-Presidência na chapa liderada pela ministra, mas isso esbarraria nas pretensões do presidente licenciado do partido e presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP).

No entanto, fonte graduada do Palácio do Planalto disse recentemente à Reuters que Meirelles pode permanecer à frente do BC até o fim de 2010 e deixar para depois seu projeto político.

MERCADO ESPERAVA

A possibilidade de Meirelles filiar-se a um partido e, eventualmente, disputar as eleições em 2010 já era cogitada no mercado financeiro. Para analistas, as incertezas em torno do futuro de Meirelles e quem o substituiria em caso de candidatura têm servido como justificativa para parte da alta dos juros futuros.

"O mercado já esperava, assim como espera alguma substituição até março, para que ele possa se candidatar a algum cargo público. O que ainda é fonte de incerteza é o nome do substituto", comentou Mauricio Molan, economista sênior do Santander.

"Os balões de ensaio que podem surgir no meio do caminho tendem a trazer um pouco de volatilidade para as expectativas de inflação de longo prazo e, consequentemente, para os juros mais longos."

Para Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, o movimento político de Meirelles traz alguma preocupação.

"Por menos que isso possa afetar de alguma forma a política do BC, que já mostrou ser uma instituição firme, o mercado deve acompanhar esse fato atento à transição de Meirelles, um homem que tem se mostrado firme e tranquilo na condução da política monetária e cambial", disse.

"Não que o mercado veja isso (a filiação) como um problema, mas fica uma luzinha vermelha. O mercado deve acompanhar com mais afinco o desenrolar desse fato quando chegar a hora de Meirelles decidir se realmente vai se candidatar ou não", complementou.

Em 2002, Meirelles foi eleito deputado federal pelo PSDB com um número recorde de votos em Goiás, mas renunciou à vaga para assumir a presidência do BC em janeiro de 2003.

Na próxima quinta-feira, Meirelles se junta à comitiva governamental que estará em Copenhague para acompanhar o anúncio da cidade-sede das Olimpíadas 2016 no dia seguinte.

(Reportagem adicional de Isabel Versiani em Brasília; Carmen Munari, Paula Laier e José de Castro em São Paulo)

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