Meirelles: balanço de riscos não justificava corte do juro

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltou nesta quinta-feira que a maioria dos membros do Copom discutiu a possibilidade de um corte do juro em 0,25 ponto percentual em sua última reunião, mas que os diretores concluíram, de forma unânime, que a cojuntura ainda exigia cautela.

Reuters |

"O balanço de riscos não justificaria uma decisão diferente naquele momento", disse Meirelles em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Ele fez os comentários em resposta a uma intervenção do presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que apontava uma possível contradição nas informações da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada nesta manhã.

O senador questionou o fato de o Copom ter decidido pela manutenção da taxa em 13,75 por cento ao ano apesar de a maioria dos diretores ter, em sua opinião, se mostrado favorável a um corte de 0,25 ponto.

"Não há contradição", disse Meirelles, ressaltando que a ata do Copom afirmou que o corte de 0,25 ponto foi apenas considerado.

Meirelles afirmou que, de maneira geral, é "normal" que determinadas decisões dos bancos centrais sejam alvo de crítica, uma vez que o papel das autoridade monetárias é "atuar prospectivamente".

"Seria até estranho se todas as decisões fossem muito populares", disse.

Para Meirelles, o histórico recente de crescimento do país e o comportamento da inflação contestam críticas de que o nível de juros seria um obstáculo à atividade econômica ou superior ao necessário.

Ele reiterou ainda que o BC está preparado para tomar "todas as medidas necessárias para preservar a economia brasileira dos efeitos da crise". A preocupação central, segundo ele, é gerir a atual crise de liquidez, esforço que não deve se confundir com a política monetária.

O Banco Central já injetou no mercado 9,8 bilhões de dólares em leilões de venda direta da moeda norte-americana desde a piora da crise externa até o último dia 16.

Nesse mesmo período, a colocação de contratos de swap cambial tradicional --que funcionam como uma venda futura de dólares ao mercado-- somou 28,9 bilhões de dólares.

As vendas de dólares com compromisso de recompra pelo BC foram de 10,8 bilhões de dólares e os empréstimos para comércio exterior totalizaram 2,4 bilhões de dólares.

Meirelles informou também que, até 15 de dezembro, o efeito das medidas de redução de depósitos compulsórios foi de 98 bilhões de reais.

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