A meio-soprano Frederica von Stade, uma das grandes cantoras líricas dos Estados Unidos, fará dois recitais em São Paulo, hoje e quarta-feira, dentro da temporada do Mozarteum Brasileiro. Flicka, como prefere ser chamada, tem um longo histórico de gravações e apresentações lendárias ao lado de maestros como Herbert von Karajan, Leonard Bernstein e James Levine, além de uma carreira em que a escolha cuidadosa de repertório revelou uma intérprete bastante pessoal, especialista na música francesa e defensora do cancioneiro norte-americano.

O programa dos recitais está dividido em seis temas, em torno dos quais se articulam as peças escolhidas: Paris, Rosas, Crianças, Religião, "Shady Ladies" e "Moi". Ela conta que a idéia surgiu quando pensava em um recital em homenagem a uma amiga querida, uma professora do Texas apaixonada por Paris, por flores e por crianças.

Em São Paulo, Flicka vai se apresentar ao lado do pianista e compositor Jake Heggie. E é ele quem oferece um olhar sobre as peças escolhidas, de autores franceses, americanos e alemães. "A diversidade do programa mostra como as canções são a alma cultural de um povo: por meio dessa união tão especial entre música e poesia, encontramos muito sobre um país. Junte a isso os 40 anos de dedicação de Flicka a esse repertório - seu coração está aqui. Há o senso de humor, a paixão e mesmo a dor, um sofrimento bonito, digamos assim. Flicka é uma figura única no cenário musical e esse programa mostra aquilo que ela tem de melhor", diz Heggie. "Eu fiquei triste apenas com uma coisa, na verdade. Queria muito incluir uma canção brasileira no programa, há uma linda, sobre um pequeno pássaro, mas não consegui encontrar as partituras", diz ela, referindo-se a Azulão , de Jayme Ovalle, com poesia de Manuel Bandeira.

Os dois artistas trabalham juntos há pouco mais de dez anos. Heggie relembra que estava há anos sem conseguir compor, trabalhando no departamento de imprensa da Ópera de São Francisco, quando conheceu Flicka. Inspirado por sua voz, escreveu um pequeno ciclo de canções. Depois de muita hesitação, tomou coragem e mostrou a ela as peças. "Ela então sugeriu que eu tocasse e, de repente, lá estava eu, no piano, acompanhando uma das maiores cantoras americanas!" Sua vida mudou após isso. Pouco depois, ele escreveu a ópera Dead Man Walking, sobre a relação de uma freira com um prisioneiro no corredor da morte. Flicka cantou na estréia da obra, que acabou se tornando um marco inicial da retomada de encomendas de novas óperas de compositores americanos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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