SÃO PAULO (Reuters) - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, avaliou nesta terça-feira a situação ambiental das usinas de cana-de-açúcar do Estado de Pernambuco como um desastre e multou-as em 120 milhões de reais. Na operação Engenho Verde, realizada pelo Ibama e pelo Ministério do Meio Ambiente, todas as 24 usinas pernambucanas foram multadas por terem cometido infrações ambientais, disse Minc na terça-feira, segundo a Agência Brasil.

Desde que assumiu a pasta no lugar da ativista Marina Silva, algumas semanas atrás, Minc investiu contra os poderosos setores agropecuário e minerador, que se favorecem de um boom no mercado de commodities, e culpou-os por alimentar o desmatamento.

O órgão já apreendeu milhares de cabeças de gado e centenas de toneladas de soja e milho na região amazônica, em um esforço de combate ao desmatamento ilegal. E também multou várias siderúrgicas de ferro por usarem carvão resultante da extração ilegal de árvores.

Minc responsabilizou as 24 usinas de açúcar e álcool de Pernambuco pela destruição em 85 mil hectares de Mata Atlântica. Segundo o ministro, as empresas funcionavam sem as devidas licenças ambientais.

'Não é só na Amazônia (que haverá fiscalização). Acabou a moleza para o usineiros do Nordeste', disse.

A maior parte da cana-de-açúcar do Brasil é plantada na região centro-sul, mas um pequeno grupo de usinas continua produzindo no Nordeste.

A taxa de desmatamento aumentou no país neste ano pela primeira vez desde 2004, à medida que se amplia a demanda por comida, o que incentiva os fazendeiros a abrirem ainda mais espaço para as plantações e o gado.

'Não interessa que costas quentes tenham os usineiros. Vão ter que recuperar a área degradada', acrescentou o ministro, destacando que muitos produtores contam com 'conivência política' para manter 'irregularmente as usinas'.

Não havia nenhum representante do sindicato do setor disponível para comentar a ação do ministério.

(Reportagem de Reese Ewing)

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