Megaoperação no Complexo do Alemão deixa um policial morto e três feridos

RIO DE JANEIRO ¿ Um policial civil morreu durante a megaoperação realizada nesta quarta-feira no Complexo do Alemão, na Penha, zona norte do Rio. Luiz Melo, de 30 anos, era lotado na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) e foi atingido na região lombar. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a vítima chegou a ser levada para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante a cirurgia.

Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio |

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A ação deixou ainda outros três feridos, sendo dois policiais e uma moradora do Complexo do Alemão. Alexandre Marchon Gomes, de 37 anos, da Delegacia de Combate à Drogas (Dcod), levou um tiro no crânio. Ele está internado na UTI do Getúlio Vargas, respira com a ajuda de aparelhos e seu estado de saúde é grave.

O policial Rivagner Baptista dos Santos, de 44 anos, levou um tiro no fêmur esquerdo, foi submetido a uma cirurgia e passa bem. A moradora Elisabeth Dias Pinheiro, de 40 anos, foi atingida por um tiro no braço direito e por estilhaços no abdômen. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a vítima está sendo operada, mas não corre risco de morte.

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Mais de 800 policiais realizam megaoperação no morro do Alemão

A megaoperação no Complexo do Alemão contou com o apoio de 800 policiais civis e militares, entre eles, agentes de 15 delegacias especializadas, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e soldados do 16º BPM (Olaria). A ação teve como objetivo encontrar os corpos de oito traficantes que, segundo uma denúncia anônima, teriam sido mortos por criminosos da mesma facção. Entre os mortos, estaria o traficante Antônio José de Sousa Ferreira, o Tota, o bandido mais procurado da polícia do Rio.

Na parte da manhã, os policiais encontraram quatro corpos carbonizados dentro de um carro na Favela Nova Brasília, que faz parte do Complexo do Alemão. Os corpos foram encaminhados para perícia e exame de DNA. A polícia suspeita que um deles possa ser de Tota.

Segundo as investigações, a morte do traficante teria sido pedida pelo chamado "Comando Superior do Tráfico". De acordo com o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, esse comando é formado por pessoas que estão presas.

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Policiais no Complexo do Alemão no Rio

Policiais no Complexo do Alemão

A polícia não descarta a possibilidade da organização ser liderada por Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, de dentro do presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, ou por Fernandinho Beira-mar, de dentro do presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. "Não excluímos nenhuma hipótese", disse Beltrame.

Perguntado se a possível morte de Tota vai melhorar a segurança no Rio, o secretário disse que "o que preocupa é a logística do crime". Ele completou que as lideranças têm seu destaque, "mas o mais importante é combater o viés financeiro do tráfico".

Na operação desta quarta-feira, a polícia apreendeu três metralhadoras ponto 30, duas carabinas calibre 12, uma pistola, um fuzil, grande quantidade de maconha e cocaína e material para embalar drogas. Os agentes encontram ainda na comunidade uma central de monitoramento das ruas da favela com câmeras e computadores e uma "oficina de armeiro", onde, segundo a polícia, os traficantes fabricavam armas caseiras e as consertavam. Três pessoas suspeitas de ligação com o tráfico foram presas.

Em uma outra ação paralela, no Morro do Adeus, localizado próximo ao Complexo do Alemão, dois supostos traficantes, ainda não identificados, morreram. Soldados do Bope apreenderam uma pistola e um revólver.

Novo Caveirão

No início da megaoperação, um dos novos caveirões do Bope , promessa de blindagem e segurança, quebrou. As novas unidades foram adquiridas em maio por R$ 3,6 milhões.

De acordo com o secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame, o veículo foi atingido por quatro granadas, que afetaram o sistema de ar do blindado e acabaram por deslocar o módulo do sistema elétrico, causando a falha. A empresa responsável pela blindagem já foi acionada, segundo ele.

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