Megaoperação da Polícia Federal prende Daniel Dantas, Celso Pitta e Naji Nahas

SÃO PAULO - A Polícia Federal de São Paulo realiza, nesta terça-feira, a Operação Satiagraha para cumprir 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão. Entre os presos estão Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

Redação |

  • Veja nomes de alguns presos da operação
  • Entenda a operação Satiagraha da Polícia Federal
  • Saiba quem são Naji Nahas, Daniel Dantas e Celso Pitta
  • Leia na íntegra a nota da Polícia Federal sobre a operação


  • AE
    Celso Pitta, um dos presos na operação
    Celso Pitta, um dos presos na operação
    O grupo investigado é suspeito dos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

    Dantas também irá responder por suspeita de espionagem e de tentativa de corrupção de um delegado cujos primeiros nomes são Vitor Hugo

    Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início há quatro anos e estão relacionadas ao escândalo do mensalão. Nela, a polícia identificou pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério, que já está sendo processado pelo mensalão, para intermediar e desviar recursos públicos.

    O chamado esquema do mensalão envolvia o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio no Congresso. As denúncias do esquema derrubaram figuras importantes do governo petista, como o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

    Segundo a PF, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério desviava recursos públicos para o mercado financeiro. A Polícia Federal informou que o esquema seria comandado pelo banqueiro Daniel Dantas. Para cometer os crimes, principalmente de desvio de verbas públicas, o grupo é acusado de ter várias empresas de fachada. 

    Ainda de acordo com a investigação, foi descoberta a existência de um segundo grupo que atuava no mercado financeiro para "lavar" o dinheiro desses desvios. A PF apurou que este grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas. Há indícios que as duas organizações atuavam de forma interligada e também recebiam informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve.

    O Ministério Público Federal e a PF pediram também a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, mas o juiz federal Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-las.

    Na avaliação do procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso e autor dos pedidos de prisão, "a investigação da Polícia Federal já se deparou com indícios suficientes dos crimes financeiros de gestão fraudulenta, operação ilegal de instituição financeira, evasão de divisas e concessão de empréstimos vedados, além de uso indevido de informação privilegiada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha".  

    Ainda durante as investigações, segundo o Ministério Público, Dantas ofereceu US$ 1 milhão a um delegado federal para que ele tirasse alguns nomes do inquérito policial. ( leia mais aqui )

    Desde as 6h30, cerca de 20 agentes da PF realizam uma varredura nos computadores e documentos da instituição na sede do Banco Opportunity, no Rio. A polícia informou ainda que, até o momento, foram apreendidos um cofre e três veículos (um Audi Q7, um Chrysler e uma Toyota).

    A polícia esclarece que esta operação não tem relação com a Operação Chacal (caso Kroll), na qual Dantas já responde a ação penal. "As investigações em curso partiram de informações enviadas pelo Supremo Tribunal Federal atendendo requerimento do Procurador Geral da República, Antonio Fernando Souza, no processo do mensalão", diz. 

    Advogado critica anúncio de prisão

    Em entrevista para a "GloboNews", Nélio Machado, advogado de Daniel Dantas, afirmou que "a prisão se afigura de todo desnecessária e revela uma precipitação da PF". 

    "Nenhuma investigação justifica prisão de dezenas de pessoas, que têm vida útil e não são violentas", afirmou, completando que "se quiserem apurar qualquer fato com o meu cliente, que o façam, mas que respeitem a Constituição, que na verdade é rasgada pela Polícia Federal e pelos meios de comunicação. Daniel Dantas é reconhecido por sua competência, gera empregos, mas foi estigmatizado como inimigo público".

    "Posso afirmar que ele é uma pessoa de bem e essa acusação tem componente de vingança, de natuteza medieval, porque a cabeça dele tem sido oferecida à prêmio", disse Machado.

    Agência Brasil
    Daniel Dantas foi preso nesta terça-feira

    A operação foi iniciada por volta de 6h em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

    Presos na PF

    O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas já chegaram à sede da Polícia Federal em São Paulo, localizada no bairro da Lapa, na zona oeste.

    Dantas foi levado para a Superintendência da PF no Rio, mas deve ser transferido para São Paulo, onde estão baseadas as investigações. 

    Ainda não há informações, por parte da Polícia Federal, sobre quantos mandados já foram cumpridos até agora. ( veja lista de pessoas já detidas, segundo a revista Veja )

    Nesta tarde será concedida uma entrevista coletiva, na sede da Polícia Federal em São Paulo, para dar mais informações sobre a investigação e realização da operação.

    (*com reportagem de Luciana Fracchetta, do Último Segundo, e informações da Reuters)

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