Medo leva ao cancelamento de diversos passeios no Paranoá

Naufrágio causa medo na população, mas Marinha diz que barcos são mais seguros que carros e aviões

Severino Motta, iG Brasília |

Severino Motta, iG Brasília
Por do sol no lago Paranoá
Os operadores de barcos de passeio e turismo de Brasília cancelaram praticamente todos os eventos que tinha agendados depois do naufrágio do Imagination. Quase nada acontece no lago. Escolas que teriam aulas de educação ambiental desistiram dos planos. Formandos optaram por salões de festas, e namorados optaram por comemorar seu dia em terra firme, num surto de temor que atacou quase toda a cidade.

A preocupação com a segurança na água é natural após um acidente. No ano passado, quando duas jovens se afogaram após um acidente num barco superlotado, a população também teve de passar por uma quarentena antes de voltar ao lago.

“Temos que respeitar a dor de quem perdeu um alguém. Mas também não podemos criar um clima de pânico. Aquilo foi um fato isolado, há quem trabalhe com muita segurança, e é mais seguro estar no lago que num carro”, disse o operador da Barca Brasília, Edmilson Figueiredo.

Segundo a Marinha, proporcionalmente é mais seguro estar num barco que num carro ou avião. A capitão-tenente Andréa Delduque destacou que, “com base em estatísticas, nacionais e internacionais”, pode se dizer que o barco é um lugar muito seguro.

null“Não é porque um avião cai que ninguém vai mais andar de avião. O que é preciso é trabalhar com gente séria e que respeite as normas de segurança e mantenha sempre seu barco em dia”, disse outro empresário do setor, José Carlos de Andrade, que cancelou 16 eventos desde em seu Netuno II desde o naufrágio do Imagination.

Apesar da estatística favorável, não é fácil convencer a população sobre segurança logo após um acidente. De acordo com os operadores, levará cerca de três meses até o reestabelecimento do número de passeios.

Um exemplo do temos que se lastreia após um naufrágio é o da enfermeira Ana Maria Cavaline. Ela iria fazer uma festa surpresa no aniversário de seu marido. Com o acidente, a maioria dos convidados começou a lhe ligar dizendo que não poderia entrar num barco.

“Eu até iria, mas os convidados começaram a ligar cancelando, alguns falavam que não sabiam nadar, então acabei cancelando. Mas já fui em eventos no barco e gostei muito. Ainda vou fazer festa num”, disse.

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