Os médicos responsáveis pela hidrolipo que provocou a morte da radiologista Carla Bastos Fares deixaram o Estado do Rio de Janeiro e só voltarão a se pronunciar sobre o caso na segunda-feira. A advogada Fernanda Marcial informou que a ginecologista Daniela Fernandes e o anestesista Marco Antônio Raposo decidiram ficar em silêncio depois que foram hostilizados por parentes da vítima, ontem, quando prestaram depoimento na 59ª Delegacia de Polícia, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

"A situação ali saiu do controle. Eu preciso proteger a integridade física dos meus clientes", disse a advogada. O delegado responsável pelo caso, Antônio Silvino, informou que Raposo, que foi o anestesista da hidrolipo e que não tem especialização em medicina estética, será indiciado por homicídio culposo.

Carla Bastos Fares, de 33 anos, teve uma parada cardiorrespiratória durante a hidrolipo realizada na quarta-feira da semana passada, na clínica Med Light. O procedimento era o terceiro a que ela se submetia. Na segunda operação, ela teve alucinações. "Ela só fez a terceira porque os médicos a convenceram de que ela estava possuída, disseram que era um processo espiritual", contou Nícia Bastos Fares, irmã da vítima.

"Quando o ex-marido dela foi buscá-la, como havia sido combinado, estava uma gritaria na clínica porque não havia equipamentos para salvá-la e estavam usando apenas um balão manual", disse Nícia. Carla foi levada em coma para a Clínica Santa Branca e, na sexta-feira, para o Hospital Quinta D'or, onde foi constatada a morte cerebral. A radiologista foi enterrada no domingo.

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