Além de demitir, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), chamou de safados e vagabundos os cinco médicos cooperativados que faltaram ao plantão da noite de ontem no Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, zona norte da capital fluminense. Segundo o governo, os clínicos gerais faltaram ao trabalho sem justificativa e deixaram sem atendimento cerca de trinta pacientes.

Cabral anunciou uma "guerra permanente contra os médicos sem compromisso com a população".

O governador afirmou que até a primeira semana de outubro pretende substituir os faltosos por profissionais do Corpo de Bombeiros e provocou o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e o Sindicato dos Médicos do Rio. "Só pode ser vagabundo o médico que não vai trabalhar e não atende a população. Quero ver o Conselho Regional de Medicina denunciando esses safados que não vão trabalhar na emergência do Hospital Getúlio Vargas. Quero ver o sindicato denunciar estes caras."

Cabral afirmou que os médicos recebem R$ 1.500 para uma jornada de trabalho de 24 horas semanais, mas não cumprem sequer 12 horas. "Já colocamos o ponto eletrônico e o aparelho foi quebrado. Então, vamos retirá-los (os médicos) do sistema", afirmou o governador.

O secretário de Saúde do Estado, Sérgio Côrtes, que anunciou a demissão do grupo, disse que esta é a punição para médicos cooperativados no caso de falta sem justificativa. "O que não pode é o diretor da unidade ser avisado às 20 horas que dos seis médicos, apenas uma justificou a falta por problemas de saúde. Agora, os maus profissionais já sabem o que acontece. É demissão e sindicância. É até bom que eles vão embora", afirmou o secretário.

O presidente do Cremerj, Pablo Vazquez, disse que o Cremerj vai apurar não apenas se os médicos tinham justificativas para faltar, mas também as responsabilidades do diretor da unidade, do secretário de Saúde e do governador sobre o caos no HGV. "Quando Cabral assumiu exonerou um diretor do HGV ao se sensibilizar com a falta de médicos. Porém, se ele voltar hoje, continuam faltando. A situação da unidade é crítica."

Processo

Já o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, se reuniu com os médicos e afirmou que dos cinco profissionais, três faltaram porque adoeceram e os outros dois haviam pedido demissão e não foram substituídos pela cooperativa. "O sindicato processará o governador por danos morais em nome dos médicos. A situação no HGV é caótica há muito tempo. Toda vez que a gestão de Cabral fica exposta, ele fica transtornado e recorre a um vocabulário inapropriado para um administrador com os seus servidores públicos", disse.

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