A liberação da ortotanásia - suspensão do tratamento a pacientes em estado terminal para priorizar o combate à dor - foi bem recebida pela classe médica e pela Igreja. Para a primeira, a medida é bem vinda porque o médico se sentirá mais confortável para conduzir o caso do paciente.

Para a segunda, o novo código dará ao doente a chance de escolher uma morte digna, evitando assim sofrimento prolongado em tratamentos que não diminuirão o agravo da enfermidade.

Para a Diretora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual, Maria Goretti Maciel, o novo preceito médico é inclusivo e beneficiará não só o médico, mas o paciente e seus familiares. O médico não precisa mais se sentir na obrigação de iniciar um tratamento no qual não acredita. Com isso, o paciente não sofrerá a toa. E as famílias serão beneficiadas porque receberão mais atenção, afirma.

A ortotanásia difere-se da eutanásia porque, na primeira, é suspenso qualquer tratamento ineficaz que prolongue a vida do paciente terminal. No tratamento, mantém-se a aplicação de sedativos que amenizam a dor, que não provocam a morte. O caso mais conhecido de ortotanásia é o do papa João Paulo II, que optou em suspender todas as intervenções alternativas para sua sobrevida e decidiu receber medicação que aliviasse a sua dor. Já a eutanásia é a morte assistida.

O padre Marcio Fabre dos Anjos, que também é professor de moral e ética cristã, diz que tratamentos para evitar a morte a qualquer custo não são éticos. Por isso, a ortotanásia é bem vinda para a Igreja. Ele (paciente) tem direito a renunciar ao tratamento que não acrescenta em nada na cura. Sob o ponto de vista religioso, essa medida é de sabedoria, diz.

Já para o neurocirurgião da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Luiz Alcides Manreza, a nova medida somente regulamentou aquilo que já era visto na prática médica. Era uma medida necessária. A diferença é que agora o médico ficará mais confortável em suspender o tratamento sem ter receio de sofrer um processo.

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