Pelo menos em 21 Estados os atendimentos eletivos, como consultas e exames, estão paralisados. Trabalhos de urgência são realizados normalmente

Em protesto contra os baixos salários e por melhores condições de trabalho, os médicos deixam de atender nesta terça-feira serviços marcados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 21 Estados – Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e Sergipe. A paralisação vai durar 24 horas. Os médicos garantem a manutenção do atendimento de urgência e emergência aos pacientes.

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Médicos colocaram faixa na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), em São Paulo
Futura Press
Médicos colocaram faixa na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), em São Paulo

No Piauí, a suspensão vai valer três dias. Em Santa Catarina e São Paulo, algumas unidades de saúde devem parar o atendimento por algumas horas. No Distrito Federal, em Mato Grosso do Sul, no Paraná, Rio de Janeiro, Tocantins e em Roraima, estão previstas apenas manifestações e atos públicos.

O movimento nacional é liderado pela Associação Médica Brasileira (AMB), Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Dos 195 mil médicos que trabalham no SUS, a estimativa é que 100 mil deixem de atender. Os médicos reivindicam mais financiamento para a saúde pública, reajuste salarial e melhores condições de trabalho, como aumento no número de leitos nos hospitais.

Para o vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriçá, os salários defasados têm desestimulado os profissionais a ingressar na rede pública. As entidades médicas calculam que o salário médio pago a um médico do SUS é de R$ 1,9 mil por 20 horas de trabalho semanais. A categoria estipula um piso de R$ 9,6 mil.

Os médicos defendem também, pelo menos, dobrar o montante de dinheiro destinado pelos governos federal, estaduais e municipais ao sistema público de saúde. As entidades são contrárias ao projeto de regulamentação da Emenda 29, aprovado pela Câmara dos Deputados, que define percentuais mínimos de repasse à saúde pela União, pelos estados e municípios.

O projeto obriga, por exemplo, a União a repassar à saúde pública valor equivalente ao previsto no Orçamento do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) daquele ano. No entanto, os médicos defendem o texto original de regulamentação, que destinava 10% das receitas correntes brutas da União para as ações de saúde, um acréscimo de aproximadamente R$ 31 bilhões ao orçamento anual da pasta.

“O projeto da Câmara não acrescenta nenhum centavo para a saúde”, disse Tibiriçá à Agência Brasil. O projeto tramita agora no Senado. A categoria queixa-se ainda da falta de leitos nos hospitais. De acordo com a organização do movimento, 20 Estados têm número de unidades de terapia intensiva (UTIs) inferior à média nacional, que é de 1,3 leito por 10 mil habitantes.

Nos Estados onde haverá paralisação , serão suspensos os exames, as consultas, as cirurgias e outros procedimentos agendados com antecedência. “Estamos fazendo [o movimento] com toda a responsabilidade. É um compromisso com a saúde do povo brasileiro”, disse o presidente da Fenam, Cid Carvalhaes.

*com Agência Brasil e AE

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