rebatizada de Gripe A H1N1) tem grandes chances de se proliferar no País e pode tornar-se uma epidemia. Mas, para eles, o governo já disponibiliza dos recursos e está preparado para combater a doença." / rebatizada de Gripe A H1N1) tem grandes chances de se proliferar no País e pode tornar-se uma epidemia. Mas, para eles, o governo já disponibiliza dos recursos e está preparado para combater a doença." /

Médicos dizem que governo está preparado para gripe, mas veem risco de epidemia

SÃO PAULO- Para especialistas, a gripe suína (http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/04/30/oms+decide+mudar+nome+da+gripe+suina+5867916.html target=_toprebatizada de Gripe A H1N1) tem grandes chances de se proliferar no País e pode tornar-se uma epidemia. Mas, para eles, o governo já disponibiliza dos recursos e está preparado para combater a doença.

Bruno Rico, do Último Segundo |


Na manhã desta sexta-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que "a população não precisa entrar em pânico". O Presidente da Associação Médica Brasileira, José Luis Amaral, concorda com o raciocínio, mas avalia que a nova gripe deve se proliferar e virar uma epidemia.

Para ele, o País está bem preparado, mas entende que há grandes chances de os brasileiros infectados já terem transmitido a doença a outras pessoas e acredita que a população já tem que se prevenir. Ainda assim, não vê motivo para pânico pois acredita que "frente diversos países do mundo, estamos numa situação boa.

Por outro lado, "não se pode dizer que a gripe está controlada. Na verdade, ela está sendo monitorada, diz José Luis Amaral. "O monitoramento está sendo bem feito e isso é fundamental para restringir a proliferação do vírus".

O monitoramento ficou mais preciso com a chegada dos kits de testes enviados pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos ao Ministério da Saúde. Com os Kits, os médicos passaram ter certeza de se uma pessoa porta ou não o vírus da "gripe suína".

Além disso, o ministro Temporão disse que vai manter a vigilância nos portos e nos aeroportos e a vigilância terrestre. "Temos uma estrutura construída desde o ano 2000. Trata-se de uma rede de vigilância em saúde para enfrentar o vírus influenza. Em 2003, o governo brasileiro fortaleceu essa vigilância e preparou a rede nacional de laboratórios para o diagnóstico da doença. E, finalmente, já em 2005, criamos um grupo com representantes de diversos ministérios para realizar ações conjuntas para combater o vírus.

Mas, mesmo com esses recursos, é quase impossível impedir o contágio. O chefe de infectologiata da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Olzon, explica: Temos que pensar que os aviões que trouxeram as pessoas infectadas para o Brasil deveriam ter uma centena de pessoas. Com certeza a gripe já se espalhou um pouco. Acreditam, assim, que o País possa enfrentar uma epidemia.

No caso de uma epidemia, o governo teria que agir de forma mais dramática. Segundo os especialistas, teria que restringir a circulação de pessoas. Assim como no México, se tivermos epidemia com mortalidade alta, o governo deve ter que restringir a circulação de pessoas. Para se ter uma referência, na gripe de 1918, São Paulo ficou às moscas. As pessoas foram para o interior, disse Paulo Olzon.

Um problema que o País deve enfrentar é a concentração dos recursos e hospitais. O Brasil tem uma distribuição inadequada dos recursos de saúde. A maioria está na região SE. Precisamos nos aparelhar para dar assistência igual em todo o País. Este objetivo ainda não está ao nosso alcance. Os recursos terão que ser alocados de acordo com o desenvolvimento do quadro viral, disse José Luis Amaral. O ministério da Saúde disponibilizou uma página da internet com os os hospitais de referência para o tratamento da "Gripe A" .

Ainda assim, para os especialistas, não apenas o governo deve se preparar, mas também os cidadãos. É um momento e tirar uma grande lição, aponta José Luis Amaral. Os hábitos de higiene social devem ser alterados. Ao espirrar, ao tossir, ao dispor de suas secreções, ao lavar as mãos sempre que necessário, evitar tocar todos os objetos que estão ao alcance e, quando doente, evitar situações que transmitam a doença, procurar médicos e evitar a automedicação.

Se o vírus se proliferar, há fortes chances de ele voltar a atacar ciclicamente.  Geralmente, os quadros da lnfluenzia A tendem a se atenuar passado o período inicial, e se repetir no ano seguinte, explica Luis Amaral. O infectologista Paulo Olzon explica que nas pessoas, o vírus some, mas, a partir dos contatos com outras pessoas, ele vai se proliferando, se modificando e pode permanecer entre a população por muitos anos, mesmo que controlado. Pode acontecer de chegarmos em 2050 e o governo estar fazendo campanhas de vacinação de prevenção à gripe A, assim como faz com outras doenças.

Tratamento

Paulo Olzon lembra que "esta gripe é bem menos perigosa do que imaginávamos". Ele explica que, na maioria dos casos, a infecção pode, inclusive, ser curada naturalmente, apenas com repouso e alimentação. O caso simples de contágio, se cura sozinho. Acredito que seja a grande maioria. Segundo ele, casos mais graves exigem internação devido aos problemas pulmonares decorrentes.  Se houver complicações, dependendo do tamanho, faz-se a internação intensiva. Nessa situação, um aparelho substitui o pulmão da pessoa por um tempo e o paciente recebe nutrição direto na veia.

Segundo o infectologista, casos fatais são poucos. Não devemos ficar com pânico. No México, por exemplo, a mortalidade está em torno de 0,2%.

Nos casos de infecção, o remédio indicado pelos médicos é o antiviral "Tamiflu". O governo já anunciou que tem condições de realizar 6.250 tratamentos adultos e 6.250 tratamentos pediátricos. 

Além disso, atualmente, o Ministério da Saúde afirma dispor de estoque estratégico da matéria prima suficiente para realizar 9 milhões de tratamentos. "O México, país mais atingido pela gripe, possui cerca de 1 milhão e 800 mil tratamentos disponíveis para sua população", disse o ministro Temporão.

A matéria prima estaria acondicionada a granel e pode ser transformada em cápsulas no laboratório de Biomanguinhos (no Rio de Janeiro) e em laboratórios da Marinha e do Exército. Juntos, os laboratórios têm capacidade de produzir 300 mil cápsulas por dia (o equivalente a 30 mil tratamentos).

De acordo com o ministério, quando um caso de suspeita é investigado, as pessoas em contato são interrogadas em casa e são monitoradas por dez dias, por telefone, a partir da data de identificação de suspeita de um paciente com "gripe de suína". Elas recebem informações de higiene e são aconselhadas a permanecer em casa por dez dias como medida de prevenção, além de manter a casa arejada e utilizar máscaras. Se o caso suspeito for descartado, o monitoramento acaba.

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